Enquanto milhares de professores lecionam nas escolas sem formação pedagógica reconhecida, o Estado ganês mobiliza as suas universidades para os profissionalizar, numa lógica de regularização através da formação contínua, sem interromper a atividade letiva.
O Gana pretende elevar o nível do seu corpo docente para melhorar os resultados escolares. O Ministério da Educação assinou um protocolo de acordo com várias universidades ganesas para esse fim. A parceria visa a implementação do Diploma de Aperfeiçoamento para a Profissionalização dos Professores do Gana (PGG). Num comunicado oficial divulgado a 11 de junho, o objetivo é resumido da seguinte forma: “transformar profissionais não qualificados em docentes certificados”.
Na prática, o programa destina-se a professores já em exercício que lecionam sem uma qualificação pedagógica oficialmente reconhecida. O PGG irá proporcionar-lhes competências práticas e conhecimentos pedagógicos destinados a melhorar os resultados da aprendizagem.
A lógica é simples, mas ambiciosa. Em vez de manter estes profissionais numa situação de indefinição profissional, o Estado integra-os num percurso universitário estruturado. No final da formação, os participantes obtêm um estatuto profissional plenamente reconhecido.
A iniciativa tinha sido proposta no início do ano pelo ministro da Educação, Haruna Iddrisu. A assinatura dos protocolos com as universidades parceiras marca a passagem da intenção à ação.
A escolha da via universitária responde a um duplo objetivo: melhorar a qualidade pedagógica nas salas de aula e oferecer aos beneficiários um percurso profissional mais seguro e valorizado. Trata-se de uma estratégia de regularização baseada na qualificação, que aposta na formação contínua como instrumento de política educativa.
O acordo surge num contexto em que o Gana enfrenta uma escassez de professores qualificados. Segundo dados do Banco Mundial, apenas 65,52% dos professores do ensino primário tinham formação adequada em 2021, contra 67,32% em 2020. Nesse mesmo ano, a média mundial era de 87,74%.
Em outras palavras, mais de um em cada três professores do ensino primário no Gana exercia sem formação pedagógica formal. Para reduzir este défice, o governo mobilizou 2,23 milhões de dólares junto da Parceria Global para a Educação em 2025. O financiamento, obtido em colaboração com o UNICEF, destina-se ao reforço das capacidades institucionais e estará disponível até dezembro de 2027.
O programa PGG vem complementar este esforço. A sua principal vantagem é permitir a formação dos docentes sem os retirar das salas de aula, garantindo a continuidade do ensino enquanto decorre o processo de qualificação.
No entanto, permanecem algumas questões em aberto. Até ao momento, o Ministério da Educação ainda não divulgou o número de universidades participantes nem o total de professores que deverão beneficiar desta iniciativa.
Félicien Houindo Lokossou













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