Enquanto a Equatorial Guinea procura colmatar o seu atraso em matéria de conectividade e apoiar a sua transformação digital, as autoridades lançam um vasto plano de modernização das infraestruturas de telecomunicações.
As autoridades equato-guineenses iniciaram um amplo programa de modernização da empresa pública de telecomunicações GETESA. A iniciativa visa revitalizar o operador histórico num contexto de transformação digital marcado por uma procura crescente de serviços de conectividade.
A modernização da rede faz parte do plano imediato e de curto prazo do novo diretor-geral do operador nacional, Charles Borome Razafimahatratra. Este foi recentemente apresentado ao vice-presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Nguema Obiang Mangue.
Uma revolução tecnológica
A primeira fase do plano está prevista para 12 meses. Prevê a otimização da rede nacional, a expansão da cobertura telefónica e da Internet, bem como a transformação digital da empresa através da aquisição de equipamentos modernos e da reativação da fibra ótica, que até agora era utilizada apenas pela companhia nacional de eletricidade SEGESA para interligar as suas subestações elétricas.
O projeto inclui também a introdução da tecnologia 5G, a implementação de serviços Wi-Fi públicos nas cidades de Malabo, Bata e Oyala, bem como nas zonas rurais e urbanas de todo o país. O plano prevê ainda o reforço das infraestruturas energéticas e técnicas da empresa.
Outro eixo importante do programa é a digitalização completa da GETESA através de uma gestão totalmente sem papel, a redução dos custos logísticos e o lançamento do Getesa Money, uma plataforma financeira destinada a serviços de pagamentos eletrónicos. O plano inclui também a reativação do serviço de roaming e a introdução da tecnologia eSIM.
Desafios de conectividade persistentes
Esta iniciativa surge num momento em que a rede nacional de telecomunicações enfrenta desafios persistentes. Uma auditoria realizada pelo gabinete Cyberteq, cujos resultados foram apresentados em abril de 2026, revelou várias insuficiências, incluindo lacunas significativas em equipamentos, débito, capacidade da rede e planeamento técnico. O relatório destaca ainda a obsolescência de certos equipamentos, a baixa velocidade de transmissão de dados e interrupções de chamadas devido à saturação da rede.
O relatório propõe um roteiro para corrigir estas falhas através da modernização tecnológica, do reforço da capacidade da rede e da implementação de um plano de investimento destinado a melhorar a qualidade do serviço e a expandir a cobertura, em linha com os objetivos de transformação digital do país.
Ainda em abril, o gabinete Mason recomendou às autoridades a ligação do país ao cabo submarino Medusa submarine cable system, que será o segundo cabo submarino do país. O custo é estimado entre 20 e 60 milhões de euros (23,3 a 70 milhões de dólares). A iniciativa visa acabar com as interrupções do serviço de Internet e garantir uma rede estável e de alta qualidade. A infraestrutura deverá entrar em funcionamento entre 2029 e 2030.
Um pilar da transformação digital
Uma vez reabilitada e totalmente operacional, a rede da GETESA poderá tornar-se um pilar da transformação digital do país. A modernização das infraestruturas e a melhoria da qualidade do serviço aceleram a digitalização da economia nacional. A conectividade torna-se um elemento central para todos os agentes económicos e sociais.
Para as famílias, uma melhor conectividade facilita o acesso aos serviços digitais do quotidiano, incluindo comunicações, educação online, serviços financeiros móveis e plataformas de entretenimento. Para as empresas, reforça a competitividade e apoia a digitalização dos serviços, o comércio eletrónico, o uso da cloud e a adoção de ferramentas digitais de gestão avançadas.
Para referência, a Guiné Equatorial contava com cerca de 885.000 assinantes de telemóvel no final de 2025 (45,4% de quota de mercado), segundo a DataReportal. O número de utilizadores de Internet ascendia a 1,18 milhões, ou seja, 60,4% da população.
Isaac K. Kassouwi













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