Perante uma taxa de conclusão do ensino primário inferior a 70% e um absentismo de um em cada quatro professores nas escolas, a Mauritania está a testar uma parceria escola-família para melhorar a qualidade da educação e reforçar a empregabilidade dos jovens.
Na Mauritânia, o Centro de Estudos e de Investigação Pedagógica (CERP) organizou um colóquio científico no sábado, 30 de maio, em Nouakchott. O encontro teve lugar na sede da municipalidade de Sebkha, na presença de um público alargado da moughataa. Reuniu a Federação Nacional das Associações de Pais de Alunos e Estudantes, em colaboração com a autarquia. O tema centrou-se na parceria entre a escola e a família como modelo eficaz de cooperação educativa.
Vários professores e investigadores apresentaram comunicações sobre a importância da presença dos pais no percurso escolar. Defendeu-se, por isso, que esta parceria é uma condição essencial para o sucesso educativo. O adjunto do presidente da câmara e o responsável da associação local de pais de alunos também participaram nos trabalhos. O colóquio insere-se num contexto de debate intenso sobre o papel da escola na formação do cidadão.
Professores pouco formados, famílias em primeira linha
Esta iniciativa integra o programa mensal do CERP intitulado «Debates sobre a educação na Mauritânia». O objetivo é reforçar a reforma do ensino em todo o território. O seu diretor, M. El Moctar Ould Handah, reafirmou o compromisso de abranger todas as municipalidades do país. A participação dos pais é considerada estratégica, sobretudo em bairros populares frequentemente afastados das decisões educativas.
Esta abordagem responde a uma urgência educativa evidente. Segundo o Global Partnership for Education, apenas 5,9% dos professores do ensino primário possuíam conhecimentos mínimos para ensinar em 2025. Para responder a este problema, foram desenvolvidas formações estruturadas em matemática, francês e árabe. Uma experiência-piloto em mais de 300 escolas públicas apresentou resultados positivos e está a ser alargada a nível nacional.
O absentismo agrava ainda mais a situação. A UNESCO registou em 2024 que um em cada quatro professores estava ausente durante visitas não anunciadas. Uma realidade que afeta diretamente as famílias.
Um orçamento em forte crescimento, mas resultados limitados
A Mauritânia tornou obrigatória e gratuita a escolaridade entre os 6 e os 15 anos em 2022. O Programa Nacional de Desenvolvimento do Setor da Educação (PNDSE III, 2023-2030) visa garantir educação de qualidade para todas as crianças. O esforço orçamental aumentou significativamente: a educação representou 21% das despesas públicas em 2024, contra 10,6% em 2019, segundo a UNICEF. No entanto, os resultados ainda não acompanharam este aumento de investimento.
Os dados confirmam o desafio: menos de 7 em cada 10 alunos concluem o ensino primário, e apenas 40% concluem o ensino básico, segundo a UNESCO. Além disso, mais de 90% das crianças entre 3 e 5 anos não frequentam o pré-escolar, o que fragiliza as bases da aprendizagem.
No mercado de trabalho, apenas 58% da população em idade ativa está empregada ou à procura de emprego, segundo estudo da UNESCO de 2024. Metade dos trabalhadores encontra-se no setor informal, evidenciando um desfasamento estrutural entre educação e emprego.
Desde o ano letivo de 2025, os alunos dos quatro primeiros anos do ensino primário frequentam exclusivamente escolas públicas, aumentando a pressão sobre um sistema já fragilizado. Isto reforça a necessidade de um pacto entre escola e família para melhorar os resultados educativos e a empregabilidade.
Félicien Houindo Lokossou













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