Perante os elevados custos das infraestruturas, os operadores de telecomunicações no Gabão estão a explorar modelos de partilha para melhorar a cobertura e a qualidade do serviço. Esta abordagem poderá também favorecer uma redução progressiva do preço dos dados móveis.
Os operadores Moov Africa Gabon Télécom e Airtel Gabon assinaram, na quinta-feira, 7 de maio, em Libreville, uma convenção de mutualização das suas infraestruturas digitais, na presença do ministro da Economia Digital, Mark Alexandre Doumba. O acordo visa permitir a partilha de determinadas instalações técnicas, de modo a melhorar a cobertura da rede e a qualidade dos serviços em todo o território.
Concretamente, a convenção prevê a partilha de antenas de telecomunicações e de outras infraestruturas, evitando investimentos duplicados e otimizando a expansão das redes. Para os operadores, esta abordagem deverá permitir reorientar recursos para a extensão da cobertura, sobretudo nas zonas ainda mal servidas, ao mesmo tempo que melhora a qualidade do serviço. O diretor-geral da Airtel Gabon, Thomas Herbert Gutjahr, destacou o elevado custo das infraestruturas, considerando que a sua partilha constitui uma alavanca para reduzir encargos e melhorar o desempenho global do setor.
A cooperação dá continuidade ao memorando de entendimento assinado em setembro de 2025 entre os dois operadores, que estabeleceu as bases para a partilha de infraestruturas digitais, nomeadamente com o objetivo de racionalizar custos e alargar a cobertura nacional. Alinha-se também com a orientação das autoridades gabonesas, que incentivam a mutualização das infraestruturas como meio de otimizar redes e acelerar a transformação digital. Num mercado caracterizado por elevados investimentos, esta abordagem surge como uma resposta às restrições económicas do setor.
No Gabão, onde a taxa de penetração da Internet é estimada em mais de 70% segundo a DataReportal, os desafios centram-se agora na qualidade do serviço e na extensão da cobertura, sobretudo fora dos grandes centros urbanos. O crescimento dos usos digitais aumenta também a pressão sobre as redes existentes, tornando necessária uma otimização das infraestruturas.
As primeiras infraestruturas partilhadas serão instaladas na Cité de la Démocratie, um local estratégico destinado a tornar-se um polo de conectividade. A médio prazo, as autoridades esperam que esta cooperação contribua também para tornar os serviços de dados mais acessíveis, num mercado onde o custo continua a ser um fator determinante de adoção.
Samira Njoya













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