Segundo um relatório recente do FMI, a RDC prevê implementar, até ao final de março, um grupo interbancário de pagamento eletrónico destinado a permitir que os bancos coordenem e geram coletivamente os pagamentos eletrónicos a nível nacional.
O Solidaire Banque, cuja sede se encontra em Kinshasa, celebrou um acordo de parceria de três anos com a empresa americana Visa, líder mundial em pagamentos digitais. O anúncio foi feito na quarta-feira, 4 de março. Esta colaboração visa reforçar a oferta de pagamentos eletrónicos da instituição bancária na República Democrática do Congo (RDC).
O Solidaire Banque pretende apoiar-se na rede da Visa para diversificar o seu portfólio de produtos. Planeia o lançamento de novos cartões de débito, abrangendo os segmentos Classic, Platinum e Infinite, bem como soluções pré-pagas. O acordo inclui ainda o desenvolvimento de serviços de crédito direcionados, destinados à clientela «premium».
Do ponto de vista tecnológico, o acordo baseia-se na integração da solução Visa Pay, que permite a emissão instantânea de cartões digitalizados e acompanha a transição digital, em linha com a evolução dos hábitos de pagamento móvel no país.
Esta parceria reforça a presença da Visa na RDC, onde a empresa abriu o seu primeiro escritório na África Central em 2022. A empresa americana prevê também colaborar com o Banco Central do Congo (BCC) para apoiar a modernização do sistema financeiro nacional.
Pagamentos móveis e inclusão financeira em crescimento
Este acordo surge num contexto financeiro congoles em profunda transformação, onde os pagamentos móveis registam um crescimento sustentado, segundo a Associação Global de Operadores de Telecomunicações (GSMA), enquanto a inclusão financeira atinge 50%, contra 38,5% em 2022. Este progresso é impulsionado pelo crescimento do mobile money, que contava com 23,1 milhões de utilizadores no primeiro trimestre de 2024, de acordo com a Autoridade Reguladora da Posta e das Telecomunicações do Congo (ARPTC). Com uma penetração móvel estimada em 60,4%, os bancos procuram captar uma fatia crescente dos fluxos digitais ainda dominados pelas operadoras de telecomunicações.
Paralelamente, o quadro regulatório está a consolidar-se. As autoridades continuam a implementar a Estratégia Nacional de Inclusão Financeira 2023-2028, que prevê, entre outras medidas, a interconexão das instituições financeiras e a criação do esperado grupo interbancário de pagamento eletrónico responsável pela coordenação das transações a nível nacional.
Segundo a GSMA, o crescimento do digital na RDC poderá gerar, até 2029, um valor acrescentado estimado em 11 800 bilhões de francos congolenses (cerca de 5,1 mil milhões de dólares), criar aproximadamente 2,5 milhões de empregos e aumentar as receitas fiscais em cerca de 3 000 bilhões de francos congolenses.
Sandrine Gaingne













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