Anunciada durante o fórum que assinala o lançamento do programa «Djoliba… The Next Step», a operação de financiamento sindicado em benefício da Sociedade Ivoiriense de Refinação (SIR) concretiza o novo modelo de atuação do Banco Oeste-Africano de Desenvolvimento (BOAD): menos empréstimos diretos e maior efeito de alavanca junto dos bancos locais para financiar projetos industriais alinhados com a soberania energética regional.
Na abertura dos «BOAD Development Days», que decorrem nos dias 11 e 12 de junho, em Lomé, no Togo, reunindo decisores públicos e investidores em torno do financiamento da habitação sustentável e da soberania energética, o Banco Oeste-Africano de Desenvolvimento (BOAD) anunciou a mobilização de oito bancos que operam na Costa do Marfim para financiar a modernização da Sociedade Ivoiriense de Refinação (SIR), a maior refinaria da África Ocidental.
O financiamento destina-se ao complexo de hidrodesulfurização (HDS) de gasóleo, localizado em Vridi, em Abidjan. Avaliado em 545 mil milhões de francos CFA, o projeto deverá reduzir o teor de enxofre dos combustíveis para menos de 10 partes por milhão (ppm), face a níveis que atualmente ultrapassam por vezes as 2.000 ppm. O objetivo é cumprir a norma Afri-6, próxima dos padrões europeus, e reduzir em 75% as emissões de dióxido de enxofre. Esta operação complementa o empréstimo direto de 60 mil milhões de francos CFA concedido pelo BOAD em outubro de 2025.
A escolha do momento não é inocente. Sob o tema do financiamento da habitação sustentável como motor da soberania energética, esta segunda edição do fórum reúne cerca de 400 participantes e serve de plataforma de lançamento para o novo plano estratégico quinquenal da instituição. Denominado «Djoliba… The Next Step», o plano para o período 2026-2030 foi elaborado com o apoio da Boston Consulting Group, após a execução de um plano anterior que atingiu 107,4% dos seus objetivos, correspondendo a um volume de investimentos de 5,2 mil milhões de dólares na União. Os capitais próprios do banco, que duplicaram desde 2021, aumentaram ainda 28% em 2025.
Ao optar por mobilizar a poupança bancária local em vez de conceder financiamento isoladamente, o BOAD ilustra a orientação defendida pelo seu presidente, Serge Ekué, que preconiza uma maior participação do setor privado para responder às necessidades de investimento do continente, em linha com a Nova Arquitetura Financeira Africana.
«Este projeto permitirá à SIR reforçar a sua competitividade, contribuindo simultaneamente para a proteção do ambiente e para a saúde pública», sublinhou a instituição.
Para a SIR, liderada por Tiotioho Soro, o desafio é igualmente financeiro. Segundo as contas da empresa, a margem de refinação caiu para cerca de 5 dólares por barril em 2024, contra 11 dólares no ano anterior. A estruturação deste investimento através de um sindicato bancário permite preservar a liquidez da empresa, ao mesmo tempo que prossegue o processo de modernização e adequação às normas internacionais.
A primeira pedra do projeto foi lançada a 2 de outubro de 2025 pelo primeiro-ministro marfinense, Robert Beugré Mambé. A entrada em funcionamento da nova instalação está prevista para 2029.
Fiacre E. Kakpo













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