O objetivo é estimular o emprego local num país onde o setor do turismo ainda permanece pouco desenvolvido, apesar de um forte potencial. O desenvolvimento das infraestruturas hoteleiras e dos serviços associados é, de facto, considerado um importante motor de criação de emprego.
A Sociedade Financeira Internacional (SFI), braço do Grupo do Banco Mundial dedicado ao financiamento do setor privado, pondera conceder um empréstimo de 15 milhões de dólares à empresa Grands Hôtels de Mauritanie (GHM), cujo acionista maioritário é a Société Nationale Industrielle et Minière (SNIM) da Mauritânia.
Este financiamento visa refinanciar um empréstimo-ponte que permitiu concluir a construção do novo Sheraton de Nouakchott, um hotel de 200 quartos cuja abertura progressiva começou em outubro de 2025, após vários atrasos ligados à pandemia de covid-19. Em janeiro, o estabelecimento apresentava uma taxa de ocupação de cerca de 20%, segundo os dados disponíveis.
Para além do simples refinanciamento de infraestruturas, o investimento poderá ter impacto no emprego local. De acordo com as estimativas, o hotel deverá empregar cerca de 200 pessoas, das quais aproximadamente 34% mulheres. Em plena capacidade, o número de trabalhadores poderá atingir entre 250 e 300 funcionários.
Um setor turístico ainda pouco desenvolvido apesar do seu potencial
Por enquanto, o investimento encontra-se “pendente de aprovação”, segundo a SFI. Se for validado, o projeto poderá contribuir para reforçar a posição de Nouakchott como destino emergente de turismo de negócios na África Ocidental, ao mesmo tempo que introduz novas normas ambientais e sociais no setor hoteleiro mauritano.
A oferta turística do país continua limitada, apesar de um potencial significativo. Em 2023, a Mauritânia recebeu apenas cerca de 4 000 turistas internacionais, um nível muito inferior ao observado nas décadas de 1980 e 1990, quando o deserto mauritano atraía todos os anos milhares de viajantes.
Segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), o setor do turismo voltou a crescer desde 2021. A contribuição do turismo para o PIB foi estimada em 1,8 mil milhões de ouguiyas (MRU), ou seja, 45 milhões de dólares em 2021, devendo atingir cerca de 2,2 mil milhões de MRU em 2025.
No âmbito do Programa de Ação do Segundo Plano Estratégico de Crescimento Acelerado e Prosperidade Partilhada (PA2-SCAPP), o PIB adicional gerado pelo turismo poderá, contudo, permanecer limitado, situando-se em torno de 0,15 mil milhões de MRU por ano num cenário de impacto elevado, segundo o FMI.
Para concluir este investimento, a GHM deverá, de acordo com a SFI, implementar um plano de ação ambiental e social detalhado até ao final de 2026. Este dispositivo deverá incluir a nomeação de um responsável dedicado, bem como o reforço dos mecanismos de gestão de reclamações.
Sandrine Gaingne













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