Apesar de um crescimento anual de 8 %, a Zâmbia não conseguiu atingir a meta de um milhão de toneladas de cobre em 2025. Este resultado revela algum atraso nos planos de médio prazo do país, que pretende mais do que triplicar a sua produção de cobre na próxima década.
Segundo maior produtor de cobre em África, a Zâmbia está atualmente em negociações com parceiros internacionais, incluindo os Estados Unidos, para atrair novos investimentos no setor. Estes esforços, relatados pela imprensa internacional na terça-feira, 10 de março, citando o ministro das Minas Paul Kabuswe, visam apoiar a meta de aumentar a produção nacional de cobre para 3 milhões de toneladas até 2031, face a 890.300 toneladas em 2025.
Parcerias “ganha-ganha” em perspetiva
Em detalhe, Kabuswe explica que as negociações visam estabelecer parcerias equilibradas entre a Zâmbia e os investidores estrangeiros. Segundo o ministro, estes devem participar ativamente no desenvolvimento do setor, garantindo uma “situação ganha-ganha” para todas as partes. A iniciativa abrangeria vários países, mas o estado de progresso das conversações ainda não foi especificado.
A referência explícita aos Estados Unidos não é inocente, num contexto em que Washington intensifica as suas iniciativas para assegurar o acesso a minerais estratégicos em África. Esta estratégia já abrange o cobre, como demonstrado pelo acordo concluído em fevereiro pelo consórcio financiado pelos EUA, Orion Resource Partners, para adquirir 40 % de participações em duas minas de cobre-cobalto do grupo Glencore na República Democrática do Congo.
Enquanto aguardam-se mais detalhes sobre as negociações, importa notar que já existem interesses norte-americanos no setor de cobre da Zâmbia. A start-up californiana KoBold Metals está a desenvolver no país o projeto de cobre Mingomba, apontado como uma futura grande mina. A fase de construção ainda não foi anunciada, estando a decisão final de investimento (FID) por determinar.
Apoiar a dinâmica já em curso
A obtenção de novos investimentos através das parcerias em estudo poderá revelar-se decisiva para a indústria de cobre da Zâmbia, sobretudo tendo em conta a dinâmica já gerada por vários projetos emblemáticos. O operador da mina Konkola, Vedanta Resources, anunciou um orçamento de 1,5 mil milhões de USD para aumentar a produção até 2031. A Barrick Mining segue a mesma estratégia com um investimento de expansão de 2 mil milhões USD na sua mina Lumwana, enquanto o grupo chinês JCHX planeia investir para otimizar as suas operações.
Conjuntamente, estes projetos constituem marcos importantes para Lusaca, que aposta especialmente no reforço da capacidade de produção das minas existentes para atingir as suas ambições. Esta abordagem é ainda apoiada por um relatório recente da PwC, que alerta, no entanto, que atingir o objetivo nacional exigirá também novos capitais em exploração e desenvolvimento de novas minas.
“Para alcançar as 3 milhões de toneladas, serão necessários investimentos sustentados em exploração, desenvolvimento mineiro, processamento e infraestruturas de apoio”, indica a PwC. Além do seu potencial geológico, a Zâmbia beneficia de estar entre as jurisdições mineiras mais atrativas do continente, ocupando o 3.º lugar em África em 2025, segundo o Fraser Institute.
No entanto, num contexto eleitoral neste ano, o desafio para a Zâmbia reside na sua capacidade de manter esta dinâmica e preservar um clima de negócios favorável. Num mercado do cobre já sob pressão, marcado por um défice de oferta global projetado devido à transição energética e ao crescimento da inteligência artificial, a corrida pelo metal vermelho pode abrir novas oportunidades significativas.
Aurel Sèdjro Houenou













Le Cap, Afrique du Sud - Sommet IA & blockchain : start-ups, régulateurs, investisseurs autour des technologies émergentes.