O setor mineiro representa cerca de 6 % do PIB do Gabão, uma contribuição essencialmente sustentada pela exploração do manganês. No entanto, o país dispõe de outros recursos minerais, como o minério de ferro, o ouro ou a potassa, que constituem alavancas que podem ser mobilizadas pelas autoridades.
A empresa mineira canadiana Millennial Potash Corp anunciou, na terça-feira, 13 de janeiro, o lançamento de um estudo de viabilidade definitivo para o seu projeto de potassa Banio, no Gabão. Esta iniciativa reforça a posição desta matéria-prima, utilizada na produção de fertilizantes, como um dos produtos sobre os quais Libreville pode apoiar os seus esforços de diversificação das receitas mineiras.
Trabalhos em curso
Para a realização dos trabalhos, a empresa contratou a ERCOSPLAN, uma consultora alemã especializada no setor da potassa. Esta irá trabalhar com base num cenário de produção anual de 800 000 toneladas de cloreto de potássio (MOP – muriate of potash). O estudo de viabilidade deverá estar concluído no segundo semestre de 2026, tal como o estudo de impacto ambiental e social iniciado no ano passado. Os resultados serão integrados na documentação necessária para solicitar uma licença de exploração mineira às autoridades gabonesas.
Um potencial atrativo
O financiamento do estudo de viabilidade assenta num compromisso de 3 milhões de dólares da agência norte-americana International Development Finance Corporation (DFC). Será, contudo, necessário aguardar os resultados do estudo para avaliar o financiamento exigido para a construção da mina e os detalhes da estratégia da Millennial Potash para mobilizar capitais. Ainda assim, o potencial do projeto poderá atrair vários financiadores.
De acordo com a estimativa publicada em dezembro de 2025, o projeto Banio alberga 2,45 mil milhões de toneladas de recursos minerais medidos e indicados, com um teor de 16,6 % de cloreto de potássio (KCl). A estes juntam-se recursos inferidos de 3,55 mil milhões de toneladas, com um teor de KCl de 15,6 %. A título de comparação, um estudo de viabilidade publicado em 2022 para o jazigo de potassa Kola, no Congo, que contém 508 milhões de toneladas de recursos minerais medidos e indicados com um teor de 35,4 % de KCl, revelou que uma mina poderia produzir anualmente 2,2 milhões de toneladas de MOP durante 23 anos. Nesse período, prevê-se um EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) médio anual de 733 milhões de dólares.
Mobilização de investimentos
Com base nestes dados, o operador do projeto congolês, Kore Potash, já despertou o interesse de vários investidores, incluindo a empresa de serviços financeiros germano-suíça OWI-RAMS. Esta assinou, em junho de 2025, um memorando de entendimento não vinculativo com a Kore Potash para mobilizar 2,2 mil milhões de dólares, destinados a cobrir a totalidade dos custos de construção da mina Kola. Em novembro, duas outras entidades, apresentadas como “atores do setor da potassa”, submeteram propostas de aquisição da Kore Potash.
Reforçar o peso do setor mineiro
Enquanto se aguardam mais informações sobre o potencial económico de Banio, as autoridades gabonesas podem desde já integrá-lo na sua estratégia de aumento das receitas mineiras. Com uma contribuição de apenas 6 % para o PIB, o setor depende quase exclusivamente da exploração do manganês. O objetivo de Libreville é elevar essa contribuição para pelo menos 10 %, apostando tanto no aumento da produção de manganês e na sua transformação local, como na exploração de outros recursos.
Neste contexto, o minério de ferro e o ouro já são considerados produtos mineiros a valorizar de forma mais intensa. O país alberga mais de 4 mil milhões de toneladas de recursos de ferro, nomeadamente nos jazigos de Baniaka e Belinga, cujo desenvolvimento se acelerou nos últimos anos. O principal desafio para o governo será agora transformar o interesse dos diversos investidores em compromissos concretos no terreno, acompanhados dos financiamentos necessários para a construção das diferentes minas.
Para tal, a manutenção de um clima de negócios atrativo e de condições favoráveis nos mercados das matérias-primas — seja o manganês, o ferro ou a potassa — será um pré-requisito indispensável.
Emiliano Tossou













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