A crise petrolífera ligada ao encerramento do estreito de Estreito de Ormuz revela uma vantagem inesperada de África. A sua posição geográfica, afastada das rotas do Golfo Pérsico, faz do continente um fornecedor de substituição muito procurado.
O encerramento do estreito de Ormuz está a redesenhar o comércio mundial de petróleo. O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Indonésia, Arif Havas Oegroseno, afirmou na quinta-feira, 11 de junho, que o país está a intensificar as suas compras de petróleo bruto em África para garantir o seu abastecimento, segundo a agência nacional Antara.
«Colaboramos bastante com a Argélia, a Nigéria, a Angola e muitos outros países africanos», declarou após uma reunião de trabalho com a Comissão dos Negócios Estrangeiros do Parlamento em Jacarta. A vantagem de África é sobretudo geográfica. Os envios a partir do continente não atravessam o estreito de Ormuz, atualmente encerrado devido ao conflito envolvendo o Irão, os Estados Unidos e Israel, ao contrário das cargas provenientes do Golfo Pérsico.
De facto, dois petroleiros da Pertamina International Shipping, a subsidiária marítima da empresa petrolífera estatal indonésia, ficaram retidos no Golfo, impossibilitados de atravessar o estreito. Esta situação acelerou a procura de rotas alternativas de abastecimento.
A Indonésia está particularmente vulnerável a esta crise. Antes do encerramento de Ormuz, cerca de 20% das importações de petróleo bruto do país provinham do Médio Oriente. No entanto, quase todo esse abastecimento passava pelo estreito, com exceção das entregas feitas através de pipelines alternativos, segundo declarações do ministro da Energia Bahlil Lahadalia, citadas pelo IDN Financials.
Uma relação comercial em crescimento
A viragem para África não é totalmente nova, mas está a acelerar. Em dezembro de 2025, a Pertamina importou um milhão de barris de petróleo bruto da Argélia no âmbito de uma estratégia de diversificação, segundo o site Travel and Tour World. Em maio de 2024, a Agência Ecofin noticiou que a Nigéria e a Indonésia manifestaram vontade de reforçar a cooperação no setor dos hidrocarbonetos.
Estas relações comerciais têm vindo a crescer. Segundo dados do Gabinete Central de Estatísticas publicados no mês passado, a Nigéria forneceu cerca de 2,4 mil milhões de dólares em petróleo bruto à Indonésia, seguida pela Angola com 1,9 mil milhões de dólares. Ambos os países africanos estão agora entre os principais fornecedores de Jacarta.
Esta evolução insere-se também na estratégia da Nigéria. Em março passado, Abuja posicionou-se como fornecedor alternativo aos países asiáticos face às perturbações ligadas ao conflito no Médio Oriente.
Abdel-Latif Boureima













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