A júnior mineira Caledonia Mining explora atualmente a mina Blanket, no Zimbabué. Até ao final de 2028, a empresa pretende lançar Bilboes, um novo projeto com um custo total de 484 milhões de dólares, que se tornará a sua segunda mina no país.
A Caledonia Mining, cotada na Bolsa de Nova Iorque (NYSE), prevê investir 162,5 milhões de dólares em 2026 nos seus ativos auríferos no Zimbabué. Este orçamento, detalhado numa atualização operacional publicada na quarta-feira, 14 de janeiro, cobre tanto a mina em produção Blanket, como o projeto em desenvolvimento Bilboes e Motapa, um ativo ainda em fase de exploração.
Em detalhe, a empresa planeia destinar 26,6 milhões de dólares às operações mineiras e despesas de manutenção da mina Blanket, onde se espera uma produção de até 76 500 onças de ouro em 2026. O projeto Bilboes, destinado a tornar-se a segunda mina da Caledonia Mining no Zimbabué, deverá absorver 132 milhões de dólares, para financiar o início dos trabalhos de construção. Por fim, 3,8 milhões de dólares seriam alocados às atividades de exploração em Motapa.
«O nosso orçamento para o exercício de 2026 reflete o nosso compromisso de investir de forma sustentável nas nossas operações principais e no nosso crescimento futuro. Os investimentos previstos irão apoiar a produção contínua em Blanket e impulsionar o desenvolvimento do projeto Bilboes, bem como a exploração em Motapa, onde antecipamos sinergias de longo prazo criadoras de valor com Bilboes», afirmou Mark Learmonth, diretor-geral da Caledonia Mining.
E quanto à mobilização do financiamento?
Embora a Caledonia Mining queira enquadrar estes novos investimentos na sua estratégia de crescimento centrada no Zimbabué, várias questões permanecem por esclarecer. Os mecanismos de financiamento em que a empresa pretende recorrer para mobilizar os fundos anunciados ainda não foram detalhados.
No que diz respeito à verba destinada ao projeto Bilboes, a sua concretização continua condicionada à aprovação do conselho de administração da Caledonia. Em novembro de 2025, a empresa indicava que estava a analisar diferentes opções de financiamento para este projeto, cujo desenvolvimento está previsto até 2028, com um custo total estimado de 484 milhões de dólares.
Entre esses mecanismos, a empresa mencionou o recurso a dívida de primeira linha, bem como a possibilidade de mobilizar fundos próprios internos gerados pela exploração da mina Blanket. Esta última alternativa, baseada no reinvestimento do fluxo de caixa, é prática comum entre empresas mineiras e pode ser aplicada a Blanket e Motapa. Por enquanto, as receitas provenientes da venda de ouro em 2025 ainda não foram divulgadas, mas foi declarada uma produção anual de 76 213 onças de ouro em Blanket para esse exercício.
Enquanto se aguardam detalhes adicionais, o anúncio deste financiamento surge num contexto de mercado globalmente favorável ao ouro. Após uma valorização de cerca de 70 % em 2025, o preço do metal amarelo já regista um aumento de 7 % desde o início do ano, segundo dados da Trading Economics.
Aurel Sèdjro Houenou













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