Nos últimos anos, vários depósitos de hidrocarbonetos foram identificados ao largo das costas da Namíbia. Embora estes se concentrem no bassin de Orange, que atraiu numerosas multinacionais, esta zona de interesse não é a única a suscitar o entusiasmo das empresas estrangeiras.
À semelhança de outras multinacionais já ativas no país, como a TotalEnergies e a Chevron, a British Petroleum está a entrar na exploração petrolífera na Namíbia. Na segunda-feira, 13 de abril, a multinacional britânica anunciou ter adquirido uma participação maioritária em três blocos situados no bassin de Walvis, ao largo da costa do país.
Em detalhe, a empresa britânica adquiriu 60% dos interesses nas licenças de exploração petrolífera (PEL) 97, 99 e 100. Segundo os termos do acordo assinado com os parceiros dos blocos, nomeadamente a Eco (Atlantic) Oil & Gas, a empresa pública NAMCOR e a Azinam, a BP passará a ser operadora dos locais.
Esta operação marca uma nova implantação da BP num bassin ainda pouco explorado. No final da transação, que depende nomeadamente da obtenção das aprovações necessárias, a empresa deterá 60% de participação nestes três perímetros, à frente da Eco (Atlantic) Oil & Gas (20%), da NAMCOR (10%) e da Azinam (10%).
A BP enquadra esta transação na estratégia de desenvolvimento do seu portefólio de upstream. Segundo a empresa, estas licenças oferecem acesso a recursos potenciais numa zona considerada promissora. Indica ainda a intenção de reforçar a sua presença em bacias de exploração emergentes, recorrendo a parcerias locais.
A operação permanece sujeita às aprovações necessárias. Uma vez obtidas, a BP prevê iniciar os trabalhos de exploração nos blocos em causa. Estas atividades visam avaliar o potencial em hidrocarbonetos dos blocos, com base na análise de dados geológicos e sísmicos existentes.
Uma crescente importância dos atores petrolíferos na Namíbia
A entrada da BP como operadora na Namíbia ocorre num contexto de crescente dinamização das atividades de exploração no país. Com esta operação, a multinacional torna-se pela primeira vez operadora na Namíbia, onde já estava presente através da joint-venture Azule Energy, envolvendo a italiana Eni.
Gordon Birrell, responsável pela exploração e produção da empresa, sublinha que «a Namíbia suscita um interesse crescente da indústria» e refere bacias ainda pouco exploradas que oferecem potencial de crescimento a longo prazo.
Esta dinâmica apoia-se em várias descobertas recentes no país. Num comunicado publicado em 2025, a BP anunciou uma descoberta de gás e condensados no poço Volans-1X no bassin de Orange, apresentada como a terceira realizada nesse ano pela Azule Energy. Esta última indica, num relatório publicado em abril de 2025, ter identificado hidrocarbonetos no poço Capricornus-1X, com volumes considerados significativos (11 000 b/d) durante os testes.
A nível nacional, as autoridades namibianas visam uma primeira produção petrolífera até 2030. Segundo uma declaração de Maggy Shino, comissária do Petróleo do Ministério das Minas e Energia da Namíbia, divulgada em abril de 2025, este objetivo continua a ser central na estratégia energética do país.
Abdel-Latif Boureima













Palais des Expositions, Alger (Safex)