As inundações ocorridas em abril de 2026 interromperam o acesso ferroviário ao porto do Lobito. A retoma dos comboios de cobre provenientes da RDC restabelece esta rota de exportação, numa altura em que o corredor procura atrair maiores volumes face à concorrência de outras vias logísticas.
A Lobito Atlantic Railway (LAR) anunciou, na segunda-feira, 15 de junho, a chegada ao porto angolano do primeiro comboio internacional de cobre proveniente da República Democrática do Congo (RDC) desde a reabertura do troço ferroviário entre Lobito e Huambo. O anúncio confirma o restabelecimento da ligação completa entre o Copperbelt congolês e o Oceano Atlântico, após dois meses de perturbações que colocaram à prova a resiliência do Corredor do Lobito para a exportação de minerais.
Na sequência das fortes inundações registadas na província de Benguela em abril, o acesso dos minerais congoleses ao porto do Lobito tornou-se difícil, exigindo trabalhos de emergência para reparar as infraestruturas danificadas e restabelecer a circulação ferroviária. Embora o segmento da rede entre Huambo e Luau, na fronteira com a RDC, tenha permanecido operacional ao longo de mais de 1.000 quilómetros durante a interrupção, o acesso ao porto constituía o principal elo em falta para as exportações internacionais.
A LAR afirma ter conseguido manter parte dos fluxos logísticos através de uma solução multimodal a partir da plataforma logística de Dango, localizada na província do Huambo e utilizada como ponto de transferência entre diferentes meios de transporte. Este sistema permitiu, nomeadamente, a chegada ao porto do Lobito, a 14 de maio, de uma primeira carga de cobalto proveniente da RDC.
Fiabilidade face à concorrência
A retoma ocorre numa altura em que o Lobito procura convencer os produtores de cobre e cobalto a utilizarem mais esta rota. A ligação entre Kolwezi e o porto angolano estende-se por cerca de 1.739 quilómetros e permite, segundo os operadores, um tempo de trânsito de aproximadamente sete dias. A empresa prevê aumentar a frequência de circulação de 12 para 20 comboios por semana até 2027.
Contudo, o sucesso destes objetivos dependerá da capacidade da infraestrutura em operar de forma contínua e fiável. Para além dos prazos e dos custos de transporte, as empresas mineiras necessitam de rotas capazes de assegurar a continuidade das operações em caso de incidentes. A LAR revelou ter iniciado uma segunda fase do seu programa de reabilitação, incluindo estudos destinados a proteger melhor a linha ferroviária contra futuros fenómenos meteorológicos extremos.
Esta questão torna-se ainda mais relevante numa altura em que outras rotas de exportação estão também a ser modernizadas. Os grupos chineses CMOC e Zijin, que controlam importantes volumes de cobre na RDC, associaram-se ao projeto de reabilitação da ferrovia TAZARA, que liga a região mineira ao porto tanzaniano de Dar es Salaam.
Para o Corredor do Lobito, a retoma do tráfego ferroviário permite regressar à competição, mas os próximos meses serão determinantes para confirmar a regularidade dos volumes transportados.
A LAR pertence a um consórcio composto pela empresa Trafigura, pelo grupo português Mota-Engil e pelo operador ferroviário Vecturis. Ao abrigo de uma concessão de 30 anos, a empresa é responsável pela exploração e modernização dos 1.300 quilómetros de linha férrea que ligam o porto do Lobito a Luau, bem como do terminal mineiro do porto. O desenvolvimento do corredor, concebido para ligar Angola às regiões mineiras da RDC e da Zâmbia, beneficia do apoio dos Estados Unidos e da União Europeia.
Emiliano Tossou













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