Mali: produção de ouro industrial em queda em 2025, Loulo-Gounkoto pode impulsionar o setor em 2026
No Mali, o setor extrativo, predominantemente dominado pela exploração aurífera, constitui a principal fonte de divisas estrangeiras. Segundo um relatório da ITIE-Mali, as atividades extrativas representaram 34,8% das receitas públicas e 9,2% do PIB em 2022.
Em 2025, a produção total das minas industriais de ouro no Mali apresenta uma queda de 22,9%, segundo dados provisórios do Ministério das Minas reportados pela Reuters no final da semana passada. Se confirmados nos relatórios finais, estes números marcariam o segundo ano consecutivo de declínio desde 2023.
De acordo com os detalhes divulgados, as minas industriais de ouro do Mali registram uma produção acumulada de 42,2 toneladas em 2025, significativamente inferior às 54,8 toneladas em 2024 e 66,48 toneladas em 2023. Esta redução deve-se, principalmente, ao fecho do complexo aurífero de Loulo-Gounkoto, devido a um diferendo entre o operador canadiano Barrick Mining e o Estado maliano.
Loulo-Gounkoto, a maior mina de ouro do país nos últimos anos, teve as suas operações suspensas em janeiro de 2025, num contexto de aumento das tensões entre o proprietário e as autoridades malianas. Colocada sob administração provisória em junho, a pedido do Estado, a mina produziu apenas 5,5 toneladas de ouro no exercício, contra 22,5 toneladas em 2024. Além de Loulo-Gounkoto, o Mali conta com outras minas industriais importantes, como Fekola (B2Gold) e Sadiola (Allied Gold).
A publicação dos dados finais será determinante para avaliar plenamente as dinâmicas de produção em 2025 e os seus impactos na economia maliana. Pilar da atividade econômica do país, o setor extrativo, dominado pelo ouro, representava 76,5% das exportações e 9,2% do PIB em 2022, segundo a ITIE-Mali. Para 2025, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) previa um crescimento de 5,3%, impulsionado sobretudo pelas atividades extrativas.
Loulo-Gounkoto: possível motor para 2026
Até ao momento, as perspectivas de produção para 2026 ainda não foram divulgadas. Contudo, desenvolvimentos recentes no caso Loulo-Gounkoto indicam uma possível retoma das operações pela Barrick. Em novembro de 2025, o grupo canadiano e o Estado maliano celebraram um acordo para resolver o seu diferendo, originado pelas reformas mineiras recentes, incluindo a adoção do Código Mineiro de 2023.
O acordo prevê, entre outros pontos, o pagamento de centenas de milhões de dólares a Bamako por dívidas pendentes e a retoma do controlo operacional da mina pela Barrick. Poucos detalhes oficiais foram até agora divulgados sobre a implementação concreta do acordo. Será necessário acompanhar de perto as próximas comunicações, especialmente a publicação das perspectivas anuais da empresa, para obter informações mais precisas.
Para referência, Loulo-Gounkoto não estava incluída nas previsões anuais de produção da Barrick para 2025. Uma retoma efetiva das operações sob a gestão do grupo canadiano poderá ser decisiva para a produção de ouro do Mali, que continuará a depender também do desempenho das outras minas industriais em atividade.
Aurel Sèdjro Houenou













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