O conhecimento do subsolo tornou-se uma questão estratégica para os países ricos em minerais críticos. Na República Democrática do Congo (RDC), as autoridades estão a explorar novas soluções tecnológicas para melhorar o mapeamento dos recursos e reforçar a atratividade do setor mineiro.
A República Democrática do Congo está a analisar um projeto apresentado pela empresa norte-americana Dynamic Aviation, destinado a modernizar o mapeamento dos seus recursos minerais através de tecnologias avançadas de deteção remota e de imagens aéreas. O tema esteve no centro de uma reunião realizada na terça-feira, 16 de junho, em Houston, entre o Presidente Félix Tshisekedi e o dirigente da empresa, Michael Stoltzfus.
A iniciativa prevê a criação de um programa nacional de recolha e tratamento de dados geoespaciais destinado a melhorar o conhecimento do subsolo congolês. Baseia-se em tecnologias avançadas de cartografia aérea capazes de produzir dados digitais de elevada precisão sobre zonas ainda pouco exploradas.
Um desafio estratégico para os minerais críticos
O projeto abrange sobretudo os recursos estratégicos para os quais a RDC possui importantes reservas mundiais, como o cobalto, o cobre, o coltan e o lítio, minerais essenciais para a transição energética global. Num contexto de forte procura internacional, a qualidade dos dados geológicos surge como um fator determinante para orientar os investimentos e reduzir os riscos associados à exploração.
A Dynamic Aviation propõe mobilizar tecnologias de imagens aéreas, deteção remota e análise geoespacial para produzir uma cartografia digital detalhada do subsolo. O objetivo é recolher, tratar e estruturar grandes volumes de dados para identificar com maior precisão as zonas com elevado potencial mineiro.
Segundo os promotores, a criação de uma base de dados geoespaciais fiável permitiria melhorar a visibilidade do potencial mineiro congolês e reforçar a atratividade do setor junto dos investidores internacionais.
Rumo a uma modernização da governação mineira
Esta iniciativa insere-se nos esforços de modernização do setor mineiro congolês, numa altura em que o país procura valorizar melhor o seu enorme potencial em minerais críticos. Uma parte do subsolo continua ainda insuficientemente estudada, o que limita algumas decisões de investimento.
Para além da componente tecnológica, o desafio é estratégico: transformar os dados geológicos num instrumento de desenvolvimento, reforçar a capacidade de negociação do Estado e apoiar um melhor planeamento da exploração mineira. Num contexto mundial marcado pelo aumento da procura de minerais essenciais às tecnologias da transição energética, a RDC aposta assim nos dados como uma nova ferramenta de soberania económica.
A soberania dos dados no centro das discussões
Embora Kinshasa demonstre abertura a esta cooperação tecnológica, a questão da soberania dos dados continua a ser central. O Presidente Félix Tshisekedi recordou que as informações relativas aos recursos naturais constituem ativos estratégicos que devem permanecer sob controlo do Estado.
As autoridades congolesas pretendem regulamentar rigorosamente a gestão, o armazenamento e a utilização dos dados resultantes do projeto, a fim de evitar qualquer perda de controlo sobre informações consideradas sensíveis.
Samira Njoya













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