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Tungsténio: como o Ruanda está a ganhar peso entre os fornecedores dos Estados Unidos

Tungsténio: como o Ruanda está a ganhar peso entre os fornecedores dos Estados Unidos
Sexta-feira, 19 de Junho de 2026

Devido à sua dureza e resistência ao desgaste, o tungsténio é um metal particularmente procurado pela indústria, pelas tecnologias avançadas e pelo setor da defesa. Estas propriedades fazem dele um material estratégico para os Estados Unidos, que procuram reduzir a sua dependência da oferta chinesa.

No Ruanda, as exportações da mina de tungsténio de Nyakabingo representam atualmente até 20% do consumo médio mensal norte-americano de concentrado primário, segundo uma atualização publicada na quarta-feira, 17 de junho, pelo seu operador Trinity Metals. Esta evolução demonstra o aumento progressivo da oferta ruandesa entre os fornecedores deste metal estratégico no mercado dos Estados Unidos.

Classificado como um mineral crítico pelos Estados Unidos, o tungsténio é utilizado nomeadamente na indústria da defesa devido à sua elevada densidade e resistência a temperaturas extremas. Para satisfazer as suas necessidades, os consumidores norte-americanos abasteceram-se principalmente junto da China entre 2021 e 2024.

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (U.S. Geological Survey), a China representou 26% da oferta durante esse período, à frente da Alemanha (14%), da Bolívia (8%) e do Vietname (8%). O Ruanda não figurava então entre os fornecedores identificados nesta classificação, que inclui as importações de minerais, concentrados e produtos derivados.

A estatística apresentada pela Trinity Metals parece assim traduzir uma evolução significativa neste panorama. Surge menos de um ano após a assinatura de um acordo com a refinadora norte-americana Global Tungsten and Powders para a comercialização do concentrado de Nyakabingo nos Estados Unidos. Desde então, mais de 320 toneladas de concentrado já foram enviadas a partir da mina, com uma duplicação das entregas em relação ao mês anterior, permitindo à empresa atingir a quota de 20% reivindicada.

Aproveitar a diversificação norte-americana

Por detrás do posicionamento da Trinity Metals no mercado norte-americano está uma mudança de paradigma mais profunda. Os Estados Unidos procuram, de facto, reduzir a sua dependência da China, que controla mais de 80% da oferta mundial de tungsténio. Esta concentração estrutural representa riscos adicionais, sobretudo porque Pequim restringiu recentemente as exportações deste metal.

Neste contexto, novos fornecedores começam a beneficiar de oportunidades à medida que cresce a procura por parte dos industriais norte-americanos.

«A procura de tungsténio nos Estados Unidos está a crescer rapidamente, tanto para a defesa como para a indústria. Este crescimento está a provocar um aumento das importações de concentrado primário de tungsténio, enquanto a produção interna norte-americana continua inexistente. A China, que controla mais de 80% da oferta mundial de tungsténio, restringiu as exportações de tungsténio de dupla utilização, tornando o fornecimento da Trinity Metals proveniente do Ruanda cada vez mais importante para a segurança nacional norte-americana», explica Shawn McCormick, presidente da Trinity Metals.

Nyakabingo apresenta também margens de progressão significativas. Está previsto um aumento triplo da produção, associado à entrada em funcionamento de uma nova unidade de processamento avaliada em 50 milhões de dólares até 2027. O projeto foi confirmado pelo diretor-geral da Trinity Metals, Peter Geleta, numa entrevista concedida à Reuters em maio.

Para financiar esta expansão, está prevista uma entrada em bolsa no NYSE num horizonte de 12 a 18 meses, com uma primeira angariação de capital estimada entre 100 e 200 milhões de dólares.

Resta saber como estas ambições serão concretizadas no terreno e em que medida irão reforçar a posição da oferta ruandesa no mercado norte-americano. Embora a Trinity Metals se apresente como o primeiro produtor e exportador de minerais do país, Nyakabingo não será provavelmente a única fonte de tungsténio no Ruanda. A sua capacidade mensal ronda as 50 toneladas, enquanto a produção nacional atingiu 1 300 toneladas no conjunto do ano de 2025, segundo o USGS.

Aurel Sèdjro Houenou

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