Com um custo estimado em mais de 800 milhões de dólares, Koné está bem posicionada para se tornar a próxima mina de ouro a entrar em produção na Côte d’Ivoire. A dinâmica atual é tal que essa etapa poderá ser alcançada antes do previsto, uma vez que a sua operadora, a Montage Gold, aponta progressos significativos nos trabalhos.
Apresentado como a próxima grande mina de ouro da Côte d’Ivoire, o projeto Koné revela-se mais iminente do que inicialmente previsto. Numa nota publicada na segunda-feira, 19 de janeiro, a canadiana Montage Gold, responsável pelo desenvolvimento do projeto, indicou que a primeira fundição de ouro está agora prevista para o quarto trimestre de 2026, mais cedo do que o calendário inicial, que apontava para 2027. A decisão é motivada, segundo a empresa, por «progressos significativos» registados até ao momento nos trabalhos de construção.
Em detalhe, a Montage Gold destaca avanços importantes no desenvolvimento da fábrica de tratamento da futura mina, indicando que «todos os trabalhos preparatórios foram concluídos dentro dos prazos previstos para a instalação». Em paralelo, a empresa anuncia a conclusão de outros estaleiros igualmente estratégicos, nomeadamente as infraestruturas de armazenamento de água, bem como progressos na ligação do projeto Koné à rede elétrica.
No total, já foram investidos 545 milhões de dólares no projeto, o que representa cerca de 63% das despesas de investimento inicialmente estimadas em mais de 800 milhões de dólares. De acordo com o novo calendário, a primeira produção de ouro proveniente do circuito de óxidos da fábrica é esperada até ao final do ano. Esta será seguida, no segundo trimestre de 2027, pela conclusão das instalações e pelo arranque da produção a partir do circuito dedicado aos minérios de rocha dura.
«A construção do nosso projeto emblemático Koné na Côte d’Ivoire avança rapidamente, com várias etapas-chave já concluídas. Entre elas, a conclusão do britador de óxidos e a entrega no local do invólucro do moinho de bolas permitem-nos antecipar uma primeira fundição de ouro através de um circuito de tratamento de óxidos no final do quarto trimestre de 2026», declarou Martino De Ciccio, diretor-geral da Montage.
Entre mercado em alta e ambições nacionais
Embora a Montage Gold não o tenha mencionado, o bom andamento dos trabalhos de construção de Koné ocorre também num contexto favorável para os preços do ouro. Após uma subida de mais de 70% em 2025, os preços mantêm globalmente uma tendência de alta no início deste ano, registando um aumento de cerca de 5% até ao momento, segundo a Trading Economics.
Lançar uma nova mina de ouro neste contexto — sobretudo um ativo da dimensão de Koné — poderá revelar-se determinante para a Montage Gold, que ainda não dispõe de minas em produção. O grupo conta com uma capacidade superior a 300 mil onças de ouro por ano durante os primeiros dez anos de exploração. Embora a primeira fundição esteja agora prevista para o final de 2026, a empresa ainda não comunicou previsões de produção inicial. Como acontece com qualquer novo projeto mineiro, deverá seguir-se uma fase de aumento progressivo da produção após o arranque das operações, sendo ainda desconhecido o calendário para que Koné atinja a sua capacidade plena.
De qualquer forma, a entrada em funcionamento de Koné constituirá uma etapa-chave na estratégia de crescimento da Montage Gold em África, ao mesmo tempo que se enquadra nas ambições da Côte d’Ivoire de aumentar a sua produção aurífera. O país visa atingir o patamar simbólico de 100 toneladas de ouro na próxima década, face às 58 toneladas produzidas em 2024. A entrada em produção de Koné, agora antecipada, poderá assim reforçar o parque mineiro existente e apoiar essa trajetória.
A evolução dos trabalhos nos próximos meses trará novos elementos para avaliar a viabilidade do calendário avançado pela Montage Gold. Recorde-se que a empresa detém 90% do capital do projeto Koné, enquanto o Estado marfinense controla os 10% restantes.
Aurel Sèdjro Houenou













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