No mês passado, a empresa italiana já tinha anunciado uma descoberta considerada importante ao largo do Egito, alimentando a esperança das autoridades de relançar uma produção de gás em declínio e reduzir a dependência do país das importações.
A Eni encontrou um novo importante jazigo de gás no Egito. A informação foi anunciada na quinta-feira, 21 de maio, pelo Ministério egípcio do Petróleo e dos Recursos Minerais, que refere tratar-se da mais importante descoberta energética da joint venture Agiba, formada pela Eni e pela empresa pública egípcia EGPC, nos últimos quinze anos.
A descoberta foi realizada no deserto ocidental, a sudoeste do Cairo, através do poço de exploração Bostan-1X, perfurado pela Egyptian Drilling Company. Segundo o ministério, o jazigo conteria cerca de 330 mil milhões de pés cúbicos de gás e 10 milhões de barris de condensados e petróleo. Localizado a apenas dez quilómetros de infraestruturas existentes, poderá ser rapidamente ligado à rede, sem custos adicionais. Uma fonte citada pela Upstream descreve, no entanto, o Bostan-1X como «uma grande descoberta para o deserto ocidental, mas não uma grande descoberta em si».
Um país que luta contra o declínio da produção
Esta descoberta surge num momento em que o Egito atravessa uma crise energética profunda, ligada ao declínio da sua produção de gás. O campo de Zohr, que fornecia sozinho 40% do gás nacional, viu a sua produção cair para metade em quatro anos. Em causa estão a infiltração de água no reservatório e a queda de pressão, dois fenómenos que obrigaram o operador a limitar a extração para evitar o colapso do campo.
Esta quebra afetou o abastecimento nacional. Depois de ter alcançado a autossuficiência em 2018, o Egito voltou a importar gás no verão de 2024. O país registava então um défice estimado em 2,5 mil milhões de pés cúbicos de gás por dia no verão de 2025, tornando-se o principal importador líquido da região.
Para inverter a tendência, o governo tem reforçado os esforços. Em agosto de 2025, o primeiro-ministro Mostafa Madbouly fixou o objetivo de atingir 6,6 mil milhões de pés cúbicos por dia até 2027, contra 4,1 mil milhões atualmente. O país prevê perfurar mais de 100 poços de exploração este ano.
A descoberta de Bostan-1X insere-se precisamente nesta estratégia, sendo vista pelo ministério como prova de que as medidas de incentivo aos parceiros estrangeiros para explorarem perto dos campos existentes estão a dar resultados.
A Eni está presente no Egito há vários anos e, em abril passado, o grupo já tinha anunciado uma descoberta importante no Mediterrâneo, estimada em 2000 mil milhões de pés cúbicos de gás e 130 milhões de barris de condensados.
Abdel-Latif Boureima













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