Do ouro ao cobre, passando pela prata e pelo zinco, o Egito afirma possuir um potencial mineiro diversificado, mas ainda largamente subexplorado. O setor contribui atualmente com menos de 1% do PIB, um nível que as autoridades pretendem aumentar através de novas reformas.
Na segunda-feira, 25 de maio, o governo egípcio anunciou a assinatura de um memorando de entendimento com a empresa turca OZ Mining, com vista ao lançamento de uma campanha de exploração destinada a avaliar o potencial aurífero do deserto oriental. Trata-se da mais recente iniciativa no âmbito dos esforços do Cairo para elevar a contribuição do setor mineiro para 6% do PIB nacional, contra menos de 1% atualmente.
Acelerar a prospeção e reforçar a atratividade…
Poucas horas antes do programa envolvendo a OZ Mining, o Ministério egípcio do Petróleo e dos Recursos Minerais já tinha anunciado outro desenvolvimento semelhante. Trata-se da assinatura de um contrato de cooperação com a empresa Xcalibur Smart Mapping para a realização de um levantamento geofísico aéreo destinado a cartografar os recursos minerais do país.
Formalizada no domingo, 24 de maio, e realizada em colaboração com a empresa local Drone Tech, esta campanha é apresentada como a primeira operação deste tipo no Egito em mais de quatro décadas.
Os trabalhos abrangerão seis zonas do país, incluindo o sul e o norte do deserto oriental, o Sinai, bem como o norte e o sul do deserto ocidental. O objetivo é estabelecer uma base atualizada de dados geológicos do subsolo egípcio, de forma a melhorar o conhecimento do potencial mineiro e facilitar a exploração por investidores interessados.
O país não se limita, no entanto, a estas medidas para atrair investidores. Está também a reforçar o quadro regulatório do setor mineiro. No início do mês, o Estado aprovou alterações que reduzem a sua participação nos projetos mineiros para 10%, contra 25% anteriormente. Foram também introduzidas medidas de simplificação administrativa, com um prazo máximo de 30 dias para o processamento de pedidos de licença.
Estas reformas fazem parte da estratégia iniciada em 2020, que aboliu o sistema de partilha de produção e a obrigação de formar joint ventures com o Estado.
Valorizar um potencial mineiro diversificado
Com estas iniciativas, o Egito pretende valorizar plenamente o seu potencial mineiro diversificado, ainda largamente subexplorado. O inventário oficial inclui reservas de ouro, tântalo e carvão, bem como cobre, prata, zinco e platina.
No entanto, a atividade mineira continua concentrada num número reduzido de projetos, destacando-se a mina de ouro Sukari, operada pela AngloGold Ashanti, que desde 2010 é a principal referência do setor no país. Com uma produção de cerca de 500 000 onças no último ano, este ativo é também um dos maiores complexos auríferos do continente.
Outros intervenientes começam a surgir, como a canadiana Aton Resources, que prevê iniciar produção de ouro e prata no projeto Hamama West até 2027, ou a australiana Nex Metals Exploration, envolvida no projeto North Hennai.
Apesar destas iniciativas, o setor continua fortemente dependente do ouro, num contexto de subida dos preços do metal precioso. A concretização das ambições egípcias dependerá não só dos projetos anunciados, mas também da capacidade de atrair novos investimentos. Apesar das reformas recentes, o país ainda apresenta uma imagem pouco atrativa para investidores. No ranking 2025 do Fraser Institute, o Egito surge entre os últimos lugares entre os 14 países africanos avaliados, apenas à frente do Burkina Faso.
Aurel Sèdjro Houenou













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