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Entre litígios e reformas, as exportações guineenses de bauxita aumentaram em 2025

Entre litígios e reformas, as exportações guineenses de bauxita aumentaram em 2025
Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2026

Primeiro país exportador de bauxita do mundo desde 2023, a Guiné procura agora avançar na transformação local do minério. Esta ambição, impulsionada pelo desenvolvimento de novas refinarias de alumina, é também fonte de tensões dentro da fileira.

Em 2025, as exportações de bauxita da Guiné atingiram 182,8 milhões de toneladas, um aumento de 25 % em relação às 145 milhões de toneladas registadas em 2024. Segundo notícia da agência Reuters na segunda-feira, 26 de janeiro, citando um documento oficial do Ministério das Minas, este resultado surge num contexto de crescentes tensões e reformas em curso na fileira.

No âmbito de uma vaga de revogação de licenças mineiras, o Estado guineense cessou, entre outros, os direitos mineiros da empresa emiradense Axis Minerals, acusando-a de incumprimento dos seus compromissos. Esta decisão, atualmente contestada no âmbito de um processo de arbitragem internacional, gera incerteza sobre as operações do grupo, que havia exportado 16 milhões de toneladas de bauxita entre janeiro e 14 de maio de 2025, data do anúncio da revogação da licença. Paralelamente, outra empresa emiradense, a Emirates Global Aluminium (EGA), encontra-se também no centro de uma disputa na Guiné.

Privada dos seus direitos mineiros devido a atrasos nos projetos de construção de uma refinaria destinada à transformação da bauxita em alumina, a empresa também ameaçou recorrer aos tribunais. Desde agosto de 2025, os direitos de exploração da sua mina foram, no entanto, transferidos para a Nimba Mining Company (NMC), uma nova empresa pública criada pelas autoridades guineenses ao longo do ano.

É neste contexto que a fileira guineense de bauxita evoluiu ao longo do exercício passado. Segundo informações disponíveis, mais de duas dezenas de empresas continuaram as suas exportações, incluindo a chinesa Chalco, a Compagnie des Bauxites de Guinée (joint venture envolvendo, entre outros, a Rio Tinto e a Alcoa) e a Société Minière de Boké (SMB). Até ao momento, nenhuma estimativa oficial das receitas geradas foi divulgada.

Com a abertura do exercício de 2026, os próximos meses serão determinantes para avaliar a evolução das exportações de bauxita do país, nomeadamente com a contribuição esperada da Nimba Mining Company. Paralelamente, a Guiné prossegue a sua estratégia de transformação local através do desenvolvimento de novas refinarias de alumina, com o objetivo de maximizar a médio prazo estas receitas mineiras. Recorde-se que, desde 2023, o país é o maior exportador mundial de bauxita.

Aurel Sèdjro Houenou

 

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