Perante o crescimento do tráfego aéreo na África Oriental, os principais países da sub-região estão a intensificar os investimentos nas suas infraestruturas aeroportuárias. O Quénia relança um projeto estratégico destinado a reforçar a competitividade de Nairóbi como hub regional.
Os trabalhos de expansão do Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta (JKIA), em Nairóbi, foram atribuídos à China Communications Construction Company (CCCC), segundo vários meios de comunicação locais e internacionais. Esta atribuição marca um avanço na implementação de um projeto adiado durante vários anos, numa altura em que a principal infraestrutura aeroportuária do Quénia já opera acima da sua capacidade nominal.
A atribuição do contrato surge após a criação do Fundo Nacional de Infraestruturas (National Infrastructure Fund – NIF), alimentado nomeadamente pelas receitas da privatização da Kenya Pipeline Company (KPC). Este mecanismo permitiu ultrapassar o principal obstáculo que travava o projeto: o financiamento.
Um projeto relançado após o fracasso da opção Adani
Antes desta solução, Nairóbi tinha explorado outra via de financiamento. Em 2024, o governo tinha iniciado negociações com o grupo indiano Adani Group para um investimento estimado em 1,85 mil milhões de dólares, destinado a expandir e modernizar o aeroporto em troca de uma concessão de 30 anos.
O projeto acabou por enfrentar forte oposição de sindicatos e trabalhadores aeroportuários, que consideravam as cláusulas desfavoráveis aos interesses nacionais. Sob pressão desta contestação e num contexto de maior escrutínio internacional, os acordos preliminares foram anulados em novembro.
A nova fase de relançamento surge quando as infraestruturas atingem os seus limites. Concebido para receber 8 milhões de passageiros por ano, o JKIA recebeu cerca de 8,8 milhões em 2025, o que agravou a congestão nas horas de ponta e afetou a qualidade do serviço.
Uma corrida regional pelos grandes hubs aéreos
A expansão do JKIA insere-se num plano diretor para o período 2025-2045. Este prevê o desenvolvimento progressivo das infraestruturas, um calendário de investimentos e projeções de rentabilidade financeira a longo prazo.
Segundo os detalhes divulgados em fevereiro pela Kenya Civil Aviation Authority (KCAA), o projeto deverá acrescentar uma capacidade adicional de 15 milhões de passageiros, incluindo a construção de um novo terminal. Está também prevista uma nova pista até 2029, elevando a capacidade operacional para cerca de 63 movimentos de aeronaves por hora, contra 14 atualmente.
O Quénia não é, no entanto, o único país da África Oriental a investir fortemente em infraestruturas aeroportuárias. A sub-região está envolvida numa competição crescente para se afirmar como a principal porta de entrada aérea do continente. No Ruanda, as obras do novo Aeroporto Internacional de Bugesera continuam, com uma capacidade prevista de 14 milhões de passageiros por ano, dos quais 7 milhões na primeira fase. A entrada em funcionamento é esperada para 2027.
Na Tanzânia, a capacidade do Aeroporto Internacional Julius Nyerere foi aumentada para 8 milhões de passageiros anuais, enquanto continuam trabalhos de modernização, nomeadamente no terminal 2. A Etiópia, por sua vez, lançou em janeiro de 2026 a construção do Aeroporto de Bishoftu, destinado a tornar-se um dos maiores do mundo, com uma capacidade projetada de cerca de 110 milhões de passageiros por ano.
Henoc Dossa













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