Perante um défice estrutural persistente que ainda obriga milhares de alunos ganeses a aprender ao ar livre, o governo está a implementar um vasto plano de construção para modernizar o ensino básico. Esta iniciativa insere-se numa reorientação estratégica que coloca a infraestrutura educativa no centro da revitalização do capital humano.
No seu discurso sobre o estado da nação, proferido na sexta-feira, 27 de fevereiro, perante o Parlamento, o presidente John Dramani Mahama (foto) anunciou a construção de 600 novos edifícios escolares em todo o país para o exercício orçamental de 2026. O plano distribui estes edifícios em 200 blocos para jardins de infância, 200 para escolas primárias e 200 para colégios.
A implementação deste programa complementa uma série de medidas anunciadas pelas autoridades educativas para melhorar o ambiente de aprendizagem no país. Segundo informações divulgadas pelos meios de comunicação locais, «preencher as lacunas em termos de infraestrutura é essencial para garantir que as competências fundamentais em leitura, escrita, cálculo e pensamento crítico sejam corretamente desenvolvidas desde o nível do ensino básico».
O programa é acompanhado de iniciativas complementares visando melhorar o quadro educativo. De acordo com dados da UNESCO, o Gana regista um crescimento demográfico rápido, com uma população estimada em 33,47 milhões de habitantes em 2025, o que exerce uma pressão crescente sobre o sistema educativo para absorver coortes cada vez maiores de alunos. Entre 2001 e 2023, o número de alunos inscritos no ensino primário e secundário básico passou de 2,6 milhões para mais de 4,7 milhões, segundo o think tank WATHI, ilustrando a dimensão do desafio para as infraestruturas escolares existentes.
Esta iniciativa surge num contexto em que o Plano Nacional de Educação 2018‑2030 mostra que o Gana enfrenta inúmeros desafios estruturais, incluindo elevadas proporções de alunos por sala e uma escassez de material pedagógico, que persistem apesar dos esforços recentes nos orçamentos para melhorar o acesso e a qualidade do ensino básico. Durante o Fórum Mundial da Educação (EWF), realizado em maio passado em Londres, o ministro da Educação, Haruna Iddrisu, indicou que mais de 5000 escolas continuam a operar sob árvores ou em estruturas temporárias no Gana.
Félicien Houindo Lokossou













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