Na sua vontade de reforçar as competências científicas desde o ensino básico, o Gana está a implementar uma ferramenta pedagógica destinada a transformar a educação, privilegiando a manipulação prática e a inovação, em vez de um ensino exclusivamente teórico.
Na quinta-feira, 4 de dezembro, o Presidente John Dramani Mahama lançou oficialmente a STEMBox, um kit concebido para tornar o ensino das ciências interativo e acessível aos alunos do ensino primário e do ciclo intermédio. A cerimónia contou com a presença do Ministro da Educação, Haruna Iddrisu, bem como de vários responsáveis do setor educativo e partes interessadas no projeto.
Segundo o Presidente, a STEMBox oferece aos alunos “ferramentas adequadas à sua idade para compreender conceitos científicos, construir pequenas máquinas, explorar circuitos, energia e movimento, e desenvolver, através da prática, competências em resolução criativa de problemas”. O objetivo é tornar a aprendizagem das ciências concreta, interativa e eficaz, ao mesmo tempo que facilita o acesso às aulas para todos os alunos.
A iniciativa pretende também “estimular a produção local, criar novos empregos e reforçar a posição do Gana como uma nação voltada para a tecnologia”. O Ministro da Educação destacou que esta inovação trará uma modernização profunda e transformará de forma duradoura o ensino e a aprendizagem em todo o país.
Esta abordagem surge num contexto em que o ensino prático no Gana continua limitado por um défice de equipamentos, ausência de laboratórios e uma pedagogia demasiado teórica. Um relatório de 2023 da Africa Education Watch (EduWatch) indica que apenas 15 % das escolas primárias públicas e 13 % dos colégios dispõem de instalações TIC funcionais.
Nas zonas marginalizadas, a situação é ainda mais crítica. Das 1.033 escolas registadas em 2025, apenas 21, ou seja, 2 %, possuíam um laboratório TIC operacional, de acordo com o relatório Review of the Education Sector Medium-Term Development Plan (2022‑2025) publicado pela EduWatch. Mesmo em estabelecimentos melhor equipados, apenas 8 % das 769 escolas estudadas tinham um laboratório funcional. Outra investigação revela que, em várias regiões, todas as escolas auditadas não tinham laboratórios de ciências e quase 90 % careciam de manuais ou materiais pedagógicos básicos.
Félicien Houindo Lokossou













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