Enquanto a revolução da inteligência artificial transforma profundamente os mercados de trabalho a nível global, a Argélia está a acelerar a digitalização do ensino superior para dotar a sua juventude das competências exigidas pela economia do futuro.
O governo argelino tem vindo a multiplicar os investimentos em tecnologias educativas para preparar a sua força de trabalho para as exigências da economia digital. Neste contexto, o ministro do Ensino Superior e da Investigação Científica, Kamel Baddari, presidiu na segunda-feira, 8 de junho, à inauguração de um novo centro em Sidi Abdellah.
Trata-se do primeiro centro nacional dedicado às tecnologias educativas e à inovação no ensino virtual. Instalado no Polo Científico Chahid Abdelhafid-Ihaddaden, o centro representa um marco na transformação digital da universidade argelina.
O edifício está equipado com meios destinados à promoção do ensino virtual, incluindo infraestruturas e plataformas digitais. Segundo o ministro, o centro mobiliza também competências capazes de enquadrar e regular o uso da inteligência artificial, integrando ainda especializações em inovação e um quadro ético para a utilização destas tecnologias.
O projeto resulta de uma iniciativa do professor Elias Zerhouni e foi desenvolvido em colaboração com o professor Mustapha Khiati, com o objetivo de criar um sistema virtual integrado e multilingue que cubra todos os domínios científicos nacionais.
Formação e emprego como desafio estrutural
A iniciativa surge num contexto de elevado desemprego juvenil, que atingia 29,3% entre os jovens dos 16 aos 24 anos em outubro de 2024. Segundo o Office National des Statistiques (ONS), os diplomados do ensino superior representam 31,4% dos desempregados.
Esta discrepância entre formação e mercado de trabalho é apontada como um problema estrutural também por agências internacionais. Para responder a este desafio, o governo orientou 65% dos novos estudantes para áreas científicas no ano letivo 2025–2026 e lançou o programa “Chabab Tech” para formar jovens em cloud, cibersegurança e inteligência artificial.
Estas medidas integram a estratégia “Argélia Digital 2030”, que ambiciona formar 500 mil especialistas em tecnologias digitais. O mercado de inteligência artificial no país deverá atingir 498,9 milhões de dólares em 2025 e poderá chegar a 1,69 mil milhões em 2030.
Félicien Houindo













Johannesburg