Guiné: um mercado de trabalho dominado pelo setor informal e com oportunidades limitadas
Impulsionada por uma demografia acelerada, a Guiné enfrenta um mercado de trabalho sob pressão, dominado pelo setor informal e com oportunidades restritas. A capacidade da economia de absorver a força de trabalho torna-se, assim, um desafio crucial para a estabilidade social e o crescimento sustentável.
Na Guiné, a taxa de emprego atingiu 52%, segundo dados divulgados em maio pelo diretor nacional do Observatório Nacional do Trabalho, Alsény Niaré, citado pelo meio de comunicação Guinée28. Este indicador, comumente usado para medir a inserção profissional, não é suficiente para avaliar a qualidade nem a solidez do mercado de trabalho, evidenciando sobretudo as fragilidades estruturais que caracterizam a economia guineense.
A população ativa cresce rapidamente, impulsionada pela entrada maciça de jovens no mercado de trabalho a cada ano. Ao mesmo tempo, a economia informal representa 77,4% da força de trabalho guineense, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Na maioria dos casos, trabalhar na Guiné significa exercer atividades sem contrato formal, sem proteção social e com rendimentos instáveis. A agricultura familiar, os pequenos negócios, os serviços urbanos e o artesanato concentram a maior parte da mão de obra. Essas atividades desempenham uma função social importante, mas permanecem pouco produtivas e oferecem poucas perspectivas de progressão profissional, de acordo com a OIT.
Essa situação gera um paradoxo persistente. O Observatório Nacional do Trabalho indica uma taxa oficial de desemprego moderada, entre 4,5% e 5,8%, mesmo com a precariedade sendo amplamente disseminada. Muitos jovens, incluindo diplomados, ocupam empregos incompatíveis com seu nível de qualificação ou insuficientes para garantir autonomia econômica duradoura.
Além disso, quase metade da população em idade ativa permanece fora do mercado de trabalho. Esse grupo inclui candidatos a emprego, pessoas desanimadas e uma parcela significativa de mulheres envolvidas em atividades domésticas não remuneradas, como mostram os dados internacionais sobre participação da força de trabalho.
O desafio para a Guiné não se limita mais à criação de empregos, mas à melhoria da sua qualidade. A capacidade do país de converter seu crescimento demográfico e econômico em empregos decentes e produtivos determinará a evolução do mercado de trabalho, bem como a coesão social e o rumo do desenvolvimento a longo prazo.
Félicien Houindo Lokossou













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