O Timkat, celebrado todos os anos na Etiópia, é a festa da Epifania na Igreja Ortodoxa Etíope. Ela comemora o batismo de Cristo no rio Jordão por João Batista. Observada em torno de 19 de janeiro (ou 20 em anos bissextos), a data é um dos momentos mais marcantes do calendário religioso etíope.

As celebrações começam na véspera, com uma procissão solene chamada Ketera. Os sacerdotes carregam réplicas da Arca da Aliança, conhecidas como Tabot, que simbolizam a presença divina. Envoltas em tecidos ricos, as Tabot são levadas sobre as cabeças dos sacerdotes, acompanhadas por cânticos, tambores e danças, até um corpo d’água que representa o Jordão. Lá, os fiéis passam a noite em oração, num ambiente de espiritualidade e comunhão.

Na manhã do Timkat, a água é abençoada pelos sacerdotes. Muitos fiéis mergulham para renovar simbolicamente o seu batismo e purificar a alma. O momento é vivido com grande devoção e alegria coletiva: homens, mulheres e crianças, vestidos com suas roupas tradicionais brancas, enchem o espaço de cor e movimento. Os cânticos antigos em ge’ez, a língua litúrgica da Igreja Etíope, misturam-se ao som dos tambores e das danças rituais.

Após a bênção, as procissões retornam com as Tabot às suas igrejas de origem. Em Gondar, uma das cidades mais emblemáticas do Timkat, as cerimônias ao redor dos banhos reais de Fasilides atraem, todos os anos, uma multidão vinda de várias regiões do país e também do exterior.

Mais do que uma celebração religiosa, o Timkat representa um poderoso símbolo de unidade nacional e cultural. Ele reúne diferentes comunidades em torno de uma fé e de uma herança comuns. As vestes brancas, a música, os gestos sagrados e a beleza das procissões expressam a continuidade de uma tradição cristã milenar, ainda profundamente enraizada na vida contemporânea da Etiópia.













Egypt International Exhibition Center, Cairo