Estimada em mais de 1,15 milhões de pessoas distribuídas por mais de 140 países, a diáspora marfinense constitui atualmente uma importante fonte de transferências financeiras e de competências que as autoridades pretendem estruturar melhor e orientar para o investimento produtivo.
O Governo da Costa do Marfim anunciou a realização de um roadshow dirigido aos marfinenses residentes na Europa, com etapas previstas em Milão e Paris. O anúncio foi feito pelo Governo num comunicado publicado na segunda-feira, 1 de junho.
O encontro de Milão está agendado para sábado, 6 de junho, enquanto o de Paris terá lugar na sexta-feira, 26 de junho, e no sábado, 27 de junho. Estas iniciativas visam reforçar os laços entre a Costa do Marfim e a sua diáspora, promovendo simultaneamente a sua participação na economia nacional. Inserem-se numa estratégia mais ampla que pretende transformar a diáspora de um simples agente de transferências financeiras num investidor estruturante para o desenvolvimento económico.
A diáspora, um motor económico com elevado potencial
Esta iniciativa é conduzida pelo Ministério Delegado responsável pela Integração Africana e pelos Marfinenses no Estrangeiro, liderado por Adama Dosso, que destaca a necessidade de reforçar os laços económicos entre a Costa do Marfim e a sua diáspora.
Várias medidas acompanham esta orientação, nomeadamente a assinatura de acordos com instituições bancárias para facilitar o acesso ao financiamento de projetos promovidos por marfinenses residentes no estrangeiro. O Centro de Promoção do Investimento na Costa do Marfim (CEPICI) criou igualmente um serviço dedicado à diáspora, com o objetivo de canalizar melhor as iniciativas e apoiar os promotores de projetos.
Através desta nova abordagem, as autoridades marfinenses pretendem transformar as transferências financeiras num instrumento sustentável de investimento e fazer da diáspora um ator central do crescimento e da transformação económica do país.
Transformar as remessas financeiras em investimentos produtivos
Segundo os dados apresentados pelo Governo, as remessas enviadas pelos marfinenses residentes no estrangeiro passaram de 99,5 mil milhões de francos CFA (176,2 milhões de dólares) em 2008 para 840 mil milhões de francos CFA em 2024. No entanto, estes recursos continuam a ser utilizados maioritariamente para despesas de consumo familiar (60% a 70%), enquanto apenas uma pequena parte é destinada ao investimento produtivo (10% a 15%).
Perante esta realidade, o Sr. Dosso considera que existe «um potencial superior a 600 mil milhões de francos CFA mobilizáveis anualmente e uma reserva de mais de um milhão de competências».
Esta estratégia insere-se numa visão mais ampla promovida pelo Presidente Alassane Ouattara, que há vários anos incentiva a participação de todos os marfinenses na dinâmica de desenvolvimento nacional. Dá igualmente continuidade a iniciativas anteriores, como a criação de uma Direção-Geral dos Marfinenses no Estrangeiro e a organização de fóruns dedicados à diáspora.
Na continuidade destas iniciativas desenvolvidas ao longo dos últimos anos para reforçar os laços entre a Costa do Marfim e a sua diáspora, o Governo apelou, na abertura do Fórum da Diáspora, a 7 de maio de 2026, aos marfinenses residentes no estrangeiro para que invistam mais em projetos produtivos e coloquem as suas competências ao serviço do desenvolvimento nacional.
Carelle Yourann (estagiária)













Dakar, Senegal