Face ao desemprego que abala o mercado de trabalho costa-marfinense e à falta de interesse dos formandos pelas áreas técnicas, a Côte d’Ivoire procura novos mecanismos para acelerar a inserção profissional da sua juventude.
Na sua vontade de preparar os jovens para profissões com maior procura, o país tem intensificado as parcerias com o setor privado. Na segunda-feira, 1 de junho, Jean-Louis Moulot, ministro delegado responsável pelo Ensino Técnico, recebeu Audrey Koffi-Niamkey, diretora-geral da Orange Bank Africa, em Abidjan. O encontro incidiu sobretudo sobre possíveis formas de colaboração entre o banco 100% digital e o Estado ivoiriense.
A cooperação prevista estrutura-se em quatro eixos. Primeiro, a educação financeira integrada nos percursos de formação. Segundo, a inclusão financeira dos estudantes através das ferramentas digitais da Orange Bank. Terceiro, a digitalização dos serviços do ministério. Quarto, o apoio à inserção profissional dos diplomados. O ministro saudou “o compromisso da Orange Bank com a inovação e o desenvolvimento humano”. Para ele, a transformação do ensino técnico passa “por alianças fortes com empresas capazes de apresentar soluções concretas”.
O encontro insere-se numa dinâmica mais ampla. Em abril passado, o ministério tinha assinado um acordo com o grupo Mayelia Participations para desenvolver a formação em regime de alternância, segundo a Agência Ivoiriense de Imprensa. A Orange Bank Africa acrescenta uma dimensão inovadora a esta estratégia. O banco já estabeleceu uma parceria com a Agência Emprego Jovem para financiar projetos entre 100 000 e 2 500 000 FCFA, ou seja, cerca de 178 a 4 444 dólares, segundo os dados disponíveis.
A fintech para colmatar uma lacuna profunda
O setor do ensino técnico na Côte d’Ivoire sofre de um duplo défice. Por um lado, uma fraca atratividade. Em 2021, representava apenas 5% dos efetivos do ensino secundário. O Ministério do Ensino Técnico, da Formação Profissional e da Aprendizagem (METFPA) pretende atingir 10% no ano letivo 2025-2026, através da abertura de novos liceus, segundo dados de janeiro de 2025. Por outro lado, os formandos saem pouco preparados financeiramente. A Orange Bank visa precisamente este segmento com o microcrédito Tik Tak, que permite contrair empréstimos até 1 000 000 FCFA em menos de dez segundos através do Orange Money. Tal ferramenta pode, segundo as autoridades, constituir “uma primeira rede de segurança financeira” para um jovem no início da sua atividade.
Esta iniciativa surge num contexto em que a Côte d’Ivoire ainda apresenta défices significativos de inclusão financeira. Segundo o Global Findex 2025 do Banco Mundial, a taxa de inclusão financeira no país atingia 58% em 2024, contra 34% em 2014. Apesar desta evolução, mais de quatro em cada dez ivoirienses continuam excluídos dos serviços financeiros formais. A taxa de desemprego alargado atingia 20% no quarto trimestre de 2024, segundo dados governamentais. A Estratégia Nacional de Inserção Profissional 2021-2025 visava apoiar 3,4 milhões de jovens na obtenção de um emprego digno.
Félicien Houindo Lokossou













Dakar, Senegal