O documentário, enquanto género cinematográfico, propõe uma leitura do real que reivindica a sua subjetividade, um olhar, de preferência crítico… É um género essencial para a sociedade: o conhecimento, a memória, a abertura ao mundo. Os cineastas africanos parecem explorá-lo de forma pertinente.
O festival Encounters South African International Documentary Festival, um dos principais encontros dedicados ao cinema documental no continente africano, prepara-se para apresentar uma programação particularmente rica e internacional. De 4 a 14 de junho, o evento decorrerá em várias cidades da África do Sul, nomeadamente na Cidade do Cabo, em Pretória e em Joanesburgo. Esta nova edição reunirá 58 documentários provenientes de 33 países, bem como 31 curtas-metragens. No total, serão propostas cerca de uma centena de projeções em torno de temáticas sociais, culturais e contemporâneas de grande relevância, incluindo 32 estreias africanas e 9 estreias mundiais.
Para a sua 28.ª edição, o festival apresenta uma seleção exigente de documentários africanos e internacionais, explorando narrativas autênticas e questões globais urgentes. As projeções terão lugar principalmente no teatro Labia Theatre, na Cidade do Cabo, e no cinema independente The Bioscope Independent Cinema, em Joanesburgo.
Em paralelo às projeções, o Encounters 2026 dará destaque ao desenvolvimento profissional dos intervenientes do setor através de um programa de conferências, debates, simpósios, workshops e laboratórios, destinado a promover o intercâmbio, a partilha de experiências e o reforço das competências dos cineastas.
Narrativas sul-africanas poderosas e curtas-metragens temáticas
Esta edição destaca vários documentários sul-africanos que exploram questões identitárias, históricas e sociais. Em Taste of the Land, a realizadora Nondumiso Masache aborda a redescoberta das tradições culinárias indígenas como vetor de sustentabilidade e de reapropriação cultural. Por sua vez, My Father’s Son, realizado por Elan Gamaker, narra os reencontros virtuais de dois irmãos separados durante muitos anos — um judeu e outro negro — que tentam reconstruir laços familiares rompidos. Finalmente, The Hour after Midnight revisita a morte controversa de Neil Aggett, médico e sindicalista que morreu sob custódia durante o regime do apartheid, através de uma investigação documental que levanta questões sobre memória, verdade e justiça.
Os 31 curtas-metragens selecionados estão distribuídos por oito secções temáticas que refletem a diversidade de olhares e narrativas propostas pelo festival. O primeiro bloco, intitulado “Atos de intervenção”, inclui When I Came to Your Door, uma coprodução entre a Etiópia e os Países Baixos. A segunda secção, “O sal da terra”, destaca A Place Called Paradise, um filme dos realizadores sul-africanos Rae Human e Rudi Lippert.
Os restantes programas estão agrupados sob os temas “Obrigado por estar aqui”, “O corpo lembra-se”, “Desaprender o guião”, “Quando tudo desmorona”, “Onde o luto se instala” e “O nosso lugar de encontro”, abordando questões ligadas à identidade, à memória, às transformações sociais e às experiências humanas contemporâneas.
É de notar ainda que serão atribuídos prémios em três categorias de filmes, incluindo duas dedicadas à realização: “melhor longa-metragem documental africano e internacional” e “melhor curta-metragem documental africano e internacional”. Será também atribuído o prémio de melhor montagem na categoria de melhor longa e curta-metragem documental.
Ubrick F. Quenum













Dakar, Senegal