O ranking dos países menos arriscados para os investidores em 2026 mostra uma progressão africana: 9 países do continente figuram agora no Top 100, contra apenas 3 em outubro de 2025. As Maurícias continuam na liderança em África, à frente da Tanzânia e do Botswana.
A empresa Henley & Partners publicou, em maio de 2026, uma edição revista do ranking mundial que avalia os riscos e a resiliência das economias para os investidores internacionais.
Esta nova edição surge após uma primeira publicação em outubro de 2025. Integra os impactos dos choques económicos recentes, nomeadamente o abrandamento mundial, as tensões geopolíticas persistentes, a volatilidade financeira, as pressões inflacionistas e o aumento dos riscos climáticos.
O ranking mundial continua dominado pelas economias europeias e asiáticas. A Suíça mantém a primeira posição mundial, à frente da Dinamarca e da Noruega, enquanto Singapura continua a ser o principal hub asiático.
No continente africano, as Maurícias continuam a ser a economia melhor classificada, passando da 83.ª posição em 2025 para a 61.ª posição mundial em 2026, à frente da Tanzânia (62.º lugar) e do Botswana (63.º lugar). Estes três países africanos eram os únicos representantes africanos no Top 100 mundial em outubro de 2025. A eles juntam-se agora as Seicheles (79.º lugar), Cabo Verde (88.º), Namíbia (90.º), África do Sul (95.º) e Marrocos. O reino alcançou a 98.ª posição, impulsionado, entre outros fatores, pela diversificação industrial e pelos investimentos em infraestruturas.
A Costa do Marfim ocupa a 108.ª posição mundial, com uma pontuação de 52,82 pontos, à frente do Senegal (128.º) e do Gana (140.º). A Nigéria encontra-se na 147.ª posição, refletindo as vulnerabilidades persistentes ligadas à inflação, às tensões no mercado cambial e aos desafios de segurança.
Diferenças persistentes na resiliência económica
O ranking baseia-se em vários critérios: estabilidade macroeconómica, governação, solidez financeira, resiliência climática, atratividade para o investimento e capacidade de adaptação face às crises. As economias africanas mais bem classificadas partilham várias características comuns, nomeadamente uma relativa estabilidade institucional, maior abertura económica, maior diversificação das fontes de rendimento e uma dependência mais limitada das matérias-primas.
Por outro lado, vários grandes mercados do continente continuam penalizados pela fragilidade das infraestruturas, elevado endividamento, tensões políticas ou de segurança e vulnerabilidade aos choques externos.
Esta dinâmica surge num contexto em que muitos países africanos procuram atrair mais investimento direto estrangeiro para apoiar a industrialização, o desenvolvimento de infraestruturas e a transição energética. Neste quadro, as agências de notação financeira e os investidores dão cada vez mais atenção à capacidade dos Estados para reforçar a sua resiliência económica e institucional perante as crises globais.
Apesar de ainda ocuparem uma posição modesta no ranking mundial, algumas economias africanas apresentam uma progressão contínua, refletindo os esforços realizados em matéria de reformas económicas, governação e diversificação.
Carelle Yourann (estagiária)
Editado por M.F. Vahid Codjia
Top 40 africano do Global Investment Risk and Resilience Index 2026
- Maurícias (61.º mundial)
- Tanzânia (62.º)
- Botswana (63.º)
- Seicheles (79.º)
- Cabo Verde (88.º)
- Namíbia (90.º)
- África do Sul (95.º)
- Marrocos (98.º)
- Ruanda (100.º)
- Argélia (102.º)
- Lesoto (107.º)
- Costa do Marfim (108.º)
- Gabão (109.º)
- Tunísia (111.º)
- Essuatíni (115.º)
- Quénia (116.º)
- Benim (118.º)
- República do Congo (119.º)
- Djibuti (121.º)
- Mauritânia (122.º)
- Zâmbia (123.º)
- Togo (124.º)
- Guiné (125.º)
- Camarões (126.º)
- Senegal (128.º)
- Angola (130.º)
- Madagáscar (131.º)
- Moçambique (132.º)
- Níger (134.º)
- Gâmbia (136.º)
- Malawi (138.º)
- Burkina Faso (139.º)
- Gana (140.º)
- Egito (141.º)
- Mali (142.º)
- Etiópia (143.º)
- Burundi (144.º)
- Chade (145.º)
- Serra Leoa (146.º)
- Nigéria (147.º)
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