Para os parceiros técnicos e financeiros (PTF), o exercício testa a capacidade do Togo de conciliar uma maior ambição social com a disciplina orçamental, visando reduzir o défice para 3% do PIB.
O governo togolês lançou oficialmente, na terça-feira, 12 de maio, em Lomé, o ciclo de consultas das partes interessadas para a elaboração do roteiro governamental 2026-2031.
A sessão, realizada no Centro Administrativo e dos Serviços Económicos e Financeiros (CASEF), foi presidida pela Dra. Sandra Ablamba Johnson, ministra e secretária-geral da Presidência do Conselho, em nome do presidente do Conselho, Faure Essozimna Gnassingbé.
Ao longo do dia realizaram-se dois encontros. O da manhã reuniu os parceiros técnicos e financeiros (PTF), copresidido por Coumba Sow, coordenadora residente do Sistema das Nações Unidas no Togo, e Antonius Verheijen, representante residente do Grupo Banco Mundial e representante do grupo dos PTF. O encontro da tarde reuniu as principais organizações do setor privado: a Câmara de Comércio e Indústria do Togo (CCI-Togo), liderada pelo Dr. José Kwassi Symenouh; o Conselho Nacional do Patronato, representado pelo vice-presidente Thierry Awesso; e a Associação das Grandes Empresas do Togo (AGET), dirigida por Jonas Daou.
Três eixos para o próximo quinquénio
O futuro roteiro assentará em três orientações estratégicas anunciadas por Faure Gnassingbé perante o Parlamento reunido em congresso a 2 de dezembro de 2025: “Proteger, Reunir, Transformar”. O primeiro eixo visa a segurança nacional e a resiliência face aos choques. O segundo diz respeito à coesão e inclusão. O terceiro pretende reforçar a competitividade da economia togolesa.
O próprio processo consultivo resulta de uma instrução presidencial. “O futuro do Togo será construído com todos os togoleses. Uma estratégia, por melhor que seja, não tem sucesso sozinha; só terá êxito se for conduzida, partilhada e apropriada por todos”, declarou o chefe do executivo na sua mensagem à nação de 27 de abril de 2026.
A base macroeconómica destacada
O governo apresentou aos PTF um balanço quantitativo do roteiro 2020-2025. O Togo manteve um crescimento médio de cerca de 6% no período, com um PIB de 6 919 mil milhões de FCFA em 2025 e um PIB per capita superior a 1 350 dólares. A inflação situou-se em 0,4% em 2025, abaixo do limite de convergência de 3% fixado pela União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA).
No plano social, o seguro de saúde universal (AMU) cobre 4,4 milhões de togoleses. O programa WEZOU prestou 5,5 milhões de serviços a quase um milhão de mulheres grávidas. O Fundo Nacional de Finanças Inclusivas (FNFI) desembolsou 118,35 mil milhões de FCFA (209,7 milhões de dólares) em créditos para 1,9 milhão de beneficiários, maioritariamente mulheres. O acesso à eletricidade ultrapassa 75% da população.
“Apesar destes desafios, o governo, sob a liderança do presidente do Conselho, manteve o rumo com um elevado nível de ambição”, declarou a Dra. Sandra Ablamba Johnson.
Um quadro orçamental sob vigilância do FMI
O roteiro 2026-2031 será implementado num ambiente orçamental restritivo. O Togo está vinculado ao Fundo Monetário Internacional (FMI) através de um programa ao abrigo da Facilidade Alargada de Crédito (FEC), com duração de 42 meses e um desembolso total de cerca de 390 milhões de dólares. O défice orçamental, ainda em 6,4% do PIB em 2024, deverá regressar a 3% em 2026. Em junho de 2025, o FMI reclassificou o país entre os Estados com “forte capacidade de endividamento”.
Do lado do Banco Mundial, a carteira ativa ascende a 1,49 mil milhões de dólares distribuídos por 18 operações, incluindo 10 projetos nacionais e 8 regionais. A Sociedade Financeira Internacional (SFI) mobilizou no Togo cerca de 320 milhões de dólares entre 2020 e 2025.
As consultas prosseguem desde quarta-feira, 13 de maio, nas regiões Marítima, dos Planaltos, Central, Kara e Savanas. O documento final é esperado até ao final do ano.













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