O secretário de Estado das Finanças, Eyob Tekalign, foi nomeado governador do Banco Central da Etiópia. Próximo de Abiy Ahmed, ele assume um mandato decisivo, marcado por uma inflação persistente, pressões sobre o birr e uma dívida insustentável.
O primeiro-ministro Abiy Ahmed nomeou Eyob Tekalign (na foto), secretário de Estado das Finanças desde 2018, como governador do Banco Central da Etiópia (National Bank of Ethiopia – NBE). Ele sucede Mamo Mihretu, que deixou o cargo no início de setembro após conduzir uma série de reformas econômicas importantes.
Um tecnocrata no coração das reformas
Com 44 anos e doutorado em Economia Política pela Universidade de Maryland, Tekalign é considerado um dos principais membros do círculo reformista de Abiy Ahmed. Ele liderou dossiês sensíveis como a reestruturação da dívida externa, as reformas fiscais e a planificação nacional. Além disso, faz parte dos conselhos de administração de várias empresas estratégicas, incluindo a EthioTelecom e a Ethiopian Electric Power.
Sua nomeação ocorre num momento em que o Banco Central precisa reforçar o seu papel na estabilização da economia, enquanto a Etiópia executa um programa de quatro anos com o FMI, no valor de 3,4 mil milhões de dólares, ao abrigo da Facilidade de Crédito Ampliada.
Uma transição monetária delicada
Sob a liderança de Mamo Mihretu, a NBE iniciou um processo de liberalização gradual: transição para um regime cambial mais flexível, introdução de um quadro de política monetária baseado em taxas de juros e abertura do setor bancário ao capital estrangeiro. Essas medidas ajudaram a corrigir parte dos desequilíbrios, a melhorar a disponibilidade de divisas e a reduzir a inflação, que caiu para cerca de 14% na primavera de 2025, contra mais de 30% dois anos antes.
Mas os desafios permanecem enormes: a inflação continua em dois dígitos, o birr segue vulnerável às pressões do mercado paralelo, e a dívida pública aproxima-se de 50% do PIB, apesar de um acordo de princípio com o comitê de credores oficiais no âmbito do Quadro Comum do G20. O país continua, entretanto, em incumprimento em relação ao eurobond de 1 mil milhão de dólares que venceu no fim de 2024, segundo o FMI. A instituição também aponta atrasos com alguns credores bilaterais e comerciais, confirmando que a dívida externa continua insustentável. Embora as negociações de reestruturação avancem, Adis Abeba ainda precisa chegar a um acordo com os detentores privados — condição essencial para restabelecer uma trajetória fiscal sustentável e restaurar a confiança dos mercados.
Confiança e pressões externas
De acordo com o FMI, o crescimento deverá atingir 7,2% em 2024/25, impulsionado por uma boa campanha agrícola, exportações recordes de café e ouro e pela retomada dos financiamentos externos. A médio prazo, o governo etíope ambiciona manter um ritmo de crescimento entre 7,5% e 8%, desde que as reformas se mantenham no curso atual.
Eyob Tekalign também terá de lidar com um contexto internacional mais incerto, marcado pela redução da ajuda externa — a ajuda pública ao desenvolvimento (APD) passou de 12% do PIB em 2011 para menos de 4% em 2023 — e pelos efeitos das mudanças climáticas, que ameaçam um setor agrícola que ainda representa cerca de 40% do PIB.
Fiacre E. Kakpo













Egypt International Exhibition Center, Cairo