Uma semana após o golpe de Estado que derrubou Andry Rajoelina, o coronel Michael Randrianirina, novo homem forte de Madagáscar, nomeou o empresário Herintsalama Rajaonarivelo como primeiro-ministro, num contexto de isolamento diplomático e de vigilância por parte da agência S&P.
Na segunda-feira, 20 de outubro, o coronel Michael Randrianirina, chefe da unidade de elite CAPSAT e principal artífice do golpe de 14 de outubro, anunciou a nomeação do empresário Herintsalama Rajaonarivelo para chefiar o governo. Segundo Randrianirina, a escolha se deve à “experiência e às conexões internacionais” do novo primeiro-ministro.
Rajaonarivelo, figura destacada do setor privado, ex-presidente da confederação patronal e atual presidente do Conselho de Administração do banco BNI Madagascar, liderará um governo de transição “civil e inclusivo”. Esse executivo deverá coexistir com o exército por dois anos, até a realização de eleições gerais — uma fórmula que busca tranquilizar os parceiros financeiros e atenuar o isolamento diplomático do país.
“Ele tem as competências, a experiência e também as relações que mantém com organizações internacionais e países que continuarão a colaborar com Madagáscar”, declarou o novo dirigente da ilha, empossado na sexta-feira, 17 de outubro.
A tomada do poder pelos militares ocorreu após várias semanas de manifestações lideradas pelo movimento juvenil “Gen Z Madagascar”, surgido em reação à escassez de água e eletricidade e ao agravamento das condições de vida. Esses protestos culminaram na destituição do presidente Andry Rajoelina por “abandono de cargo”, após sua fuga para o exterior. O ex-chefe de Estado, atualmente no exílio, denuncia um “golpe de Estado inconstitucional” e afirma que a carta de demissão divulgada online é falsificada.
A União Africana condenou a tomada de poder pelos militares e suspendeu Madagáscar de todas as suas instâncias, exigindo um retorno rápido à ordem constitucional. A ONU e a SADC também apelaram ao diálogo entre as partes.
No plano econômico, a agência S&P Global Ratings colocou a nota soberana do país (“B-/B”) sob vigilância negativa, avaliando que a instabilidade política compromete o crescimento e o processo de consolidação fiscal. A previsão de crescimento para 2025-2026 foi revista para 3%, ante 4,1% anteriormente.
Ao nomear um primeiro-ministro civil, o coronel Randrianirina procura legitimar o seu poder e preservar os laços com os parceiros internacionais. Além disso, anunciou a formação iminente de um governo civil que incluirá “todas as forças vivas da Nação”.
Olivier de Souza













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