Segunda maior região importadora de arroz depois da Ásia, África vê a sua dependência das compras externas aumentar de ano para ano. Neste contexto, os grandes traders do cereal multiplicam iniciativas para reforçar a sua posição num mercado que se tornou altamente estratégico.
A Olam Agri, filial do grupo singapurense Olam Group, ativo na produção e comercialização de matérias-primas agrícolas e alimentos para animais, obteve uma linha de financiamento de 100 milhões de dólares por 7 anos junto do banco de desenvolvimento neerlandês FMO.
Num comunicado publicado no seu site na segunda-feira, 2 de março, a Olam indica que este apoio financeiro permitirá facilitar o envio de arroz da Índia, Tailândia e Vietname para países africanos, onde o arroz constitui um alimento básico.
Em África, a Olam Agri reivindica uma rede de distribuição e comercialização bem estabelecida há vários anos em diversos países da África Subsaariana, incluindo o Gana, Nigéria, Camarões e Moçambique. A empresa comercializa uma vasta gama de marcas de arroz branqueado, entre as quais “Royal Aroma”, “Royal Feast”, “Mama Africa”, “Mama’s Pride”, “Riz Mémé”, “Riz Bijou” e “Mama Africana”.
«Este apoio da FMO reforça a nossa capacidade de transportar bens essenciais desde zonas de produção abundante para mercados onde a procura é elevada, ao mesmo tempo que continuamos a investir em cadeias de abastecimento resilientes e transparentes», declarou Julie Greene, diretora de Sustentabilidade da Olam Agri.
Oportunidades a aproveitar
Em África, o arroz é o terceiro cereal mais consumido, depois do milho e do trigo, e o seu mercado foi o mais dinâmico na última década. Com o crescimento demográfico, a mudança dos estilos de vida e a urbanização, trata-se do cereal cujas importações mais aumentaram para satisfazer uma procura crescente, sobretudo na África Ocidental, que concentra três dos principais importadores do continente: Nigéria, Senegal e Costa do Marfim.
Dados compilados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura mostram que as compras africanas de arroz no mercado internacional aumentaram cerca de 29% em dez anos, passando de 13,72 milhões de toneladas em 2014 para 17,64 milhões de toneladas em 2024. Paralelamente, a fatura associada a estas importações subiu 33,6%, atingindo 9,1 mil milhões de dólares no mesmo período.
Esta dinâmica de crescimento deverá continuar nos próximos anos. Segundo o mais recente relatório publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico e pela FAO sobre as perspetivas agrícolas mundiais, as importações nos países africanos deverão aumentar 53% no período 2025-2034.
Neste contexto, o reforço dos circuitos de comercialização da Olam Agri permitirá à empresa singapurense conquistar uma maior quota no mercado africano, onde as perspetivas de crescimento das compras são promissoras. Trata-se igualmente de uma iniciativa destinada a consolidar a sua posição face à concorrência intensa de outros grandes traders internacionais que disputam um mercado em forte expansão, entre os quais figuram a também singapurense Wilmar International e a francesa Louis Dreyfus Company.













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