Em África, a Namíbia afirma-se como o segundo maior exportador de carne bovina do continente, depois da África do Sul, e figura entre os principais exportadores de bovinos vivos. O governo está a reforçar a sua capacidade de resposta face à ameaça de uma epizootia que se intensifica na África Austral em 2026.
Na Namíbia, o governo anunciou na semana passada a criação de uma Task Force nacional e o lançamento de um Fundo de Apoio para proteger a fileira pecuária dos riscos de surgimento de focos de febre aftosa (FMD). Esta doença viral altamente contagiosa afeta principalmente os ruminantes, provocando lesões na boca e nas patas, acompanhadas de uma forte quebra de produtividade.
Segundo informações divulgadas pelos meios de comunicação locais, a 26 de fevereiro, o Fundo de Apoio destina-se a reforçar a vigilância sanitária, a biossegurança nas fronteiras, a capacidade de resposta rápida e as campanhas de sensibilização dirigidas aos criadores, enquanto a Task Force coordena a ação das autoridades públicas e dos operadores privados para assegurar uma mobilização célere em caso de crise.
Importa recordar que, desde o aparecimento dos últimos focos da doença em novembro de 2022, o país permanece em estado de alerta, mas nenhum novo caso foi notificado à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) até à data.
Um contexto sub-regional de risco
A Namíbia enfrenta, de facto, um ambiente regional de risco, com a transmissão ativa da febre aftosa a intensificar-se em vários países da África Austral, incluindo Estados vizinhos.
A África do Sul é o país mais afetado na sub-região e é considerada o epicentro da epizootia. Oito das nove províncias do país enfrentam atualmente um recrudescimento da febre aftosa, que afeta tanto explorações comerciais como comunitárias desde 2025.
A atual epizootia terá começado em 2021 e, até ao momento, apenas a província do Cabo Norte permanece poupada, segundo dados oficiais. Esta situação levou o governo sul-africano a anunciar, em novembro de 2025, a implementação de uma estratégia global de vacinação de todo o efetivo bovino contra a doença.
Mais recentemente, a 23 de fevereiro, o Lesoto declarou à OMSA o primeiro foco de febre aftosa no seu território. Antes disso, as autoridades veterinárias do Botswana confirmaram, a 1 de fevereiro, um surto num povoado no nordeste do país, perto da fronteira com o Zimbabwe. Pouco antes, a 16 de janeiro, o Zimbabwe tinha já sinalizado dois focos no distrito de Mangwe, na província de Matabeleland Sul.
Este contexto sub-regional coloca a fileira namibiana sob pressão. Para Windhoek, o reforço da capacidade de resposta a esta doença é crucial para preservar o seu estatuto de país livre de febre aftosa e continuar as exportações de carne e de bovinos vivos. “Um único caso na nossa zona livre poderia interromper todas as exportações de um dia para o outro, desencadeando um choque económico tão severo quanto o do confinamento da Covid-19”, declarou Ingrid Henckert Weissnar, responsável pelo Fundo de Apoio contra a FMD, citada pelo meio local The Brief a 1 de março de 2026.
Dados compilados na plataforma Trade Map indicam que, em 2024, as exportações namibianas de carne bovina fresca e congelada geraram cerca de 83,7 milhões de dólares. No mesmo ano, o país arrecadou ainda aproximadamente 63,9 milhões de dólares com as exportações de bovinos vivos.
Stéphanas Assocle













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