Na África Ocidental, o Gana é o terceiro maior produtor de óleo de palma, atrás da Nigéria e da Costa do Marfim. Em busca de autossuficiência, o governo está a incentivar investimentos locais e estrangeiros no setor.
O Gana procura mobilizar capitais chineses para acelerar o seu ambicioso programa de desenvolvimento do dendezeiro, um segmento chave da sua estratégia de transformação agrícola. A informação, divulgada pela Ghana Broadcasting Corporation (GBC) no domingo, 1 de março, foi anunciada por Eric Opoku, ministro da Agricultura e Alimentação, durante o Gala do Ano Novo Lunar Chinês de 2026, em Accra.
“Não estamos à procura de ajuda. Estamos a construir joint ventures”, declarou o responsável, apelando aos investidores para passarem “do comércio à produção”. Este apelo ocorre enquanto Accra renovou, desde 2025, a sua ambição de alcançar a autossuficiência em óleo de palma.
Alcançar este objetivo implica colmatar um défice de produção estimado em 200 000 toneladas por ano, representando quase 200 milhões de dólares em importações anuais. Para tal, o Gana aposta no desenvolvimento de projetos industriais que aumentem a capacidade local de produção.
Um quadro favorável para investidores privados
Na Declaração Orçamental e de Política Económica para 2026, apresentada ao Parlamento em novembro de 2025, o governo anunciou a criação de uma facilidade de financiamento de 500 milhões de dólares, destinada a apoiar a implementação da Política Nacional de Desenvolvimento Integrado do Óleo de Palma para 2026‑2032.
Esta facilidade fornecerá, segundo as autoridades, empréstimos de longo prazo, um período de carência de cinco anos para reembolso e taxas de juro concessionais. Pretende também financiar até 70% dos custos de projetos industriais ligados ao setor, com vista a atrair investidores privados, mobilizar financiamento adicional e apoiar as ambições governamentais.
A nova política prevê ainda o estabelecimento de 100 000 hectares de novas plantações de dendezeiros, aumentando a disponibilidade de matéria-prima para as unidades de processamento.
Para além dos incentivos financeiros, Accra aposta também em reformas regulatórias para garantir a competitividade e a sustentabilidade dos projetos industriais. Desde 14 de julho, a Autoridade para o Desenvolvimento das Culturas Arborícolas (TCDA) exige que todos os importadores de óleo de palma se registem e obtenham licença para operar, como parte de uma estratégia de estabilização do mercado interno. Mais recentemente, em outubro de 2025, o TCDA anunciou a criação de uma task force para monitorizar e aplicar a lei contra a entrada de óleos de cozinha contrabandeados.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) salientou, no seu último relatório sobre o mercado ganês de oleaginosas, que a entrada de substitutos importados a preços mais baixos constitui um obstáculo à produção nacional e explica, em grande parte, as limitações na expansão das plantações locais de dendezeiro.
Mobilizar a expertise chinesa na cadeia de valor
A atração de investidores chineses apresenta um interesse estratégico adicional para o Gana. Como terceiro maior consumidor mundial de óleo de palma, atrás da Indonésia e da Índia, a China possui grande capacidade industrial em refinação, processamento e distribuição em larga escala.
O país distingue-se ainda pela expertise científica do Coconut Research Institute – Chinese Academy of Tropical Agricultural Sciences (CRI‑CATAS), especializado em culturas tropicais como o dendezeiro e o coqueiro. Este centro apoia países produtores através de investigação agronómica, formação e transferência tecnológica. Em setembro de 2024, assinou um acordo com o Nigerian Institute for Oil Palm Research (NIFOR) para desenvolver variedades de alto rendimento adaptadas ao clima e melhorar a produtividade.
Para o Gana, estes parcerias com investidores chineses não se limitam ao financiamento: podem também abrir caminho à transferência de tecnologia e modernização da agroindústria local, reforçando a competitividade das exportações ganesas.
Stéphanas Assocle













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