A África Ocidental representa o principal polo de produção de algodão em África, dominado pelo Mali e pelo Benim. À medida que a campanha 2025/2026 avança, as previsões de colheita tornam-se mais precisas e anunciam uma possível reorganização na hierarquia dos países produtores.
No final da campanha algodoeira de 2025/2026, o Mali poderá perder a sua posição de maior produtor da África Ocidental para o Benim, o seu principal concorrente na região. No seu último boletim informativo, publicado a 13 de novembro, o Programa Regional de Produção Integrada do Algodão em África (PR-PICA) indica que a produção de algodão em caroço no Mali está prevista em 433.700 toneladas durante esta campanha.
Esta projeção, caso se confirme, representaria uma queda de 34% em relação à campanha anterior (656.751 toneladas) e colocaria o Mali atrás do Benim, cujas perspetivas são mais otimistas. Neste último país, as projeções da interprofissão, reportadas pelo PR-PICA, apontam para uma colheita estimada em 632.000 toneladas, praticamente estável em relação à campanha anterior (637.697 toneladas).
Segundo o boletim informativo, o desempenho abaixo do esperado no Mali pode ser atribuído às condições climáticas desfavoráveis observadas em todos os países produtores da UEMOA durante os meses de setembro e outubro, que correspondem à fase de maturação das cápsulas de algodão, uma etapa determinante para a produtividade.
"Na maioria dos países, foi notada uma escassez de chuvas, especialmente nas zonas secas e médias, sinalizando o fim da estação chuvosa. Esta situação pode ter um impacto negativo no desenvolvimento das sementes tardias, resultando numa baixa produtividade", salienta o PR-PICA relativamente ao mês de outubro de 2025.
A organização especifica ainda que o Mali foi o país que menos beneficiou de chuvas durante este mês, com apenas 14 mm registados, uma queda de 90% em relação à precipitação do mesmo mês na campanha anterior (152 mm). É importante recordar que a produção maliana já enfrentava alguns desafios estruturais no início da campanha.
Segundo informações divulgadas pelo média local Studio Tamani em junho de 2025, alguns agricultores já se preocupavam com o atraso no fornecimento de insumos, situação que terá atrasado diversos trabalhos agrícolas nas suas localidades. Também foram mencionados desafios relacionados com a insegurança.
O desenrolar da campanha na região permitirá determinar se haverá de facto uma mudança na hierarquia dos principais produtores de algodão.
Stéphanas Assocle













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