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O Ruanda pretende atrair o grupo queniano Rai para reforçar a sua produção de açúcar.

O Ruanda pretende atrair o grupo queniano Rai para reforçar a sua produção de açúcar.
Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

O Ruanda é o quarto maior importador de açúcar da África Oriental, depois da Somália, do Quénia e da Tanzânia. O Governo, que procura reduzir as suas compras nos mercados externos, está à procura de novos investimentos para reforçar a sua capacidade de produção.

No Ruanda, o Governo está em negociações com o conglomerado industrial queniano Rai Group para implementar um projeto açucareiro de grande dimensão no país. A informação foi divulgada por Prudence Sebahizi, ministro do Comércio e da Indústria, na terça-feira, 9 de junho, durante uma apresentação perante a Câmara dos Deputados.

Segundo informações divulgadas pelo jornal local The New Times, o projeto prevê a atribuição ao grupo Rai de uma concessão de 11 000 hectares de terras agrícolas no distrito de Nyagatare, destinada à produção de cana-de-açúcar e à construção de uma unidade industrial açucareira.

Uma necessidade para reduzir a crescente fatura das importações

De acordo com o ministro Sebahizi, esta iniciativa insere-se num programa mais amplo destinado a atrair novos investidores para desenvolver a indústria açucareira, atualmente dominada por um único operador e incapaz de acompanhar o crescimento da procura no mercado interno.

No Ruanda, a Kabuye Sugar é atualmente o único produtor de açúcar em atividade no país. A empresa, que anteriormente satisfazia cerca de 45% do consumo nacional através da sua produção, viu a sua quota de mercado cair para aproximadamente 10% nos últimos anos, segundo estatísticas oficiais.

Contudo, este declínio não se deve a uma redução da capacidade produtiva, mas sim ao aumento da procura. «Como não foram criadas novas fábricas ao longo do tempo, as importações aumentaram para responder ao crescimento da procura interna», explicou o ministro.

Neste contexto, o recurso ao açúcar importado aumentou significativamente, passando de cerca de 15 000 toneladas em 2015 para 196 000 toneladas em 2025, segundo dados compilados na plataforma Trademap. Paralelamente, a despesa associada a estas importações passou de 8,8 milhões de dólares para quase 146 milhões de dólares no mesmo período.

Kigali aposta no projeto atualmente em discussão com o grupo Rai para assegurar, nos próximos anos, cerca de 50% das necessidades do mercado ruandês de açúcar.

Reforço da presença do grupo Rai na África Oriental

Por seu lado, o grupo Rai vê nesta oportunidade uma forma de expandir ainda mais a sua presença na indústria açucareira da África Oriental, fazendo potencialmente do Ruanda um novo polo de crescimento regional.

Com efeito, a empresa já ocupa uma posição dominante no Quénia, onde afirma deter cerca de 50% do mercado. O seu portefólio na maior economia da África Oriental inclui várias empresas de referência, entre as quais West Kenya Sugar, Sukari Industries, Olepito Sugar e Naitiri Sugar Company, cobrindo toda a cadeia de valor, desde o cultivo da cana-de-açúcar até à moagem, refinação e comercialização do açúcar.

Stéphanas Assocle

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