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«A proibição das exportações de castanhas de caju em bruto ainda não favoreceu a transformação local» (especialista).

«A proibição das exportações de castanhas de caju em bruto ainda não favoreceu a transformação local» (especialista).
Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

A transformação da castanha de caju ganha terreno na África Ocidental, impulsionada pela abundância da produção e por políticas públicas mais favoráveis ao longo da última década. No entanto, por detrás deste crescimento global, as trajetórias continuam a ser muito contrastantes de país para país.

No Benim, o fim oficial das exportações de castanha de caju em bruto não se traduziu no surgimento de uma indústria local de transformação. Foi o que afirmou à Agência Ecofin Jim Fitzpatrick, especialista no mercado mundial dos frutos de casca rija.

A medida, em vigor desde abril de 2024, enquadrava-se numa política destinada a incentivar os operadores a transformar a produção local, nomeadamente na Zona Industrial de Glo-Djigbé (GDIZ).

Embora, em teoria, esta decisão seja favorável à criação de valor acrescentado, o analista considera que, na prática, o país nem sempre consegue absorver a totalidade da colheita, que varia entre 170 000 e 180 000 toneladas por ano, apesar das importantes capacidades industriais instaladas.

Esta situação continua a alimentar uma forte expansão das atividades de contrabando, com o produto a ser encaminhado para a Índia ou para o Vietname através do porto de Lomé, no Togo, ou por portos nigerianos.

«A proibição das exportações de castanha de caju em bruto ainda não favoreceu a transformação local. Nos últimos dois ou três anos, o que se observou foi que os industriais locais ou não querem pagar o preço exigido pelos produtores, ou não dispõem de capital circulante suficiente nem de mercados para comprar e escoar toda a colheita. E isso constitui um problema. Se analisarmos os números do ano passado, um pouco menos de 30% da colheita foi transformada no país. Isso significa que cerca de 70% da produção foi redirecionada para o Togo ou para a Nigéria. O que acontece é que o produto, rotulado como originário desses países, é posteriormente apresentado na Índia como castanha de caju de origem beninense, cuja qualidade é particularmente apreciada», explica.

«Esta situação criou igualmente riscos mais amplos. Criminalizou as trocas comerciais no setor e existe o receio de que, se os preços à saída da exploração agrícola baixarem, os produtores abandonem o cultivo do cajueiro em favor de outras culturas. O destacamento de forças militares ao longo da fronteira também não conseguiu travar o contrabando», acrescenta o Sr. Fitzpatrick.

De forma geral, a opinião do especialista vem lançar mais luz sobre um problema já referido várias vezes pelas autoridades, não apenas em relação ao setor do caju, mas também ao da soja. Ainda assim, alguns observadores consideram que é demasiado cedo para fazer um balanço definitivo de uma política que se destaca no panorama regional.

Com efeito, o Benim é o único país da África Ocidental a proibir oficialmente e de forma total as exportações de castanha de caju. Os restantes fornecedores da região aplicam impostos à exportação de castanha em bruto e/ou estabelecem períodos especiais destinados ao abastecimento de matéria-prima para as fábricas instaladas localmente.

Espoir Olodo

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