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Gana: preço de compra do cacau reduzido em 28 % para o restante da temporada 2025/2026

Gana: preço de compra do cacau reduzido em 28 % para o restante da temporada 2025/2026
Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2026

O cacau é uma das principais fontes de receita externa do Gana, juntamente com o ouro e o petróleo. Nos últimos meses, o setor tem enfrentado dificuldades significativas devido à queda dos preços internacionais.

É uma decisão que tem sabor de vitória para alguns e de amargura para outros. No Gana, o preço da tonelada de amêndoas de cacau será reduzido em 28,6 %, para 41.392 cedis (3.764 dólares) para o restante da temporada 2025/2026, anunciou na quinta-feira, 12 de fevereiro, Cassiel Ato Forson, ministro das Finanças.

Este cenário, já mencionado desde final de janeiro por várias fontes próximas do processo, foi finalmente confirmado com a crise dos preços globais, que afetou o sistema de comercialização.

Com a escassez de liquidez entre os comerciantes, que devem pagar as amêndoas a preços mais altos do que o previsto devido à queda de quase 70 % nos preços internacionais do cacau desde o recorde do final de 2024, 50.000 toneladas de cacau acumularam-se nos portos, segundo o Conselho do Cacau do Gana (Cocobod).

Estimativas elevam o volume para 300.000 toneladas, segundo várias empresas citadas pela Reuters, considerando os volumes de amêndoas não pagos e ainda armazenados dentro do país, os estoques mantidos pelos produtores, bem como as quantidades adicionais esperadas da safra intermédia de março a agosto.

“A situação atual deve-se principalmente à relutância dos compradores em adquirir o cacau ganês, que se tornou não competitivo e muito caro, afirmou o dirigente ao meio de comunicação econômico.

Contexto de mercado

Tal como na Costa do Marfim, os comerciantes consideram que os preços pagos pelas amêndoas são demasiado altos num contexto internacional fraco, que reduziu as suas margens.

O preço inclui, além do preço do mercado internacional fixado em Londres, o diferencial de origem, que é um prémio associado à qualidade do produto, e o diferencial de rendimento digno de 400 dólares (344 €) por tonelada, estabelecido desde 2020/2021 para melhorar a situação dos produtores.

Enquanto na Costa do Marfim o Conselho Café-Cacau (CCC) optou por manter os níveis de preço, segundo a Bloomberg, as autoridades ganesas decidiram ajustar os preços para mitigar a crise. Esta medida, embora polémica entre as organizações de produtores, é acompanhada de outras decisões importantes para o setor.

Novos mecanismos de financiamento

As autoridades também anunciaram um novo modelo de financiamento, baseado na emissão de obrigações domésticas lastreadas em cacau. O reembolso do capital e dos juros estará diretamente ligado às receitas geradas pelas vendas da mesma colheita.

Segundo Cassiel Ato Forson, um novo projeto de lei deverá ser submetido ao Parlamento ainda este ano, para indexar os preços ao produtor aos preços internacionais, garantindo ao mesmo tempo 70 % do preço FOB (franco a bordo).

Espoir Olodo

 

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