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Madagascar: uma parceria público-privada para expandir a rizicultura em 150.000 hectares

Madagascar: uma parceria público-privada para expandir a rizicultura em 150.000 hectares
Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2026

Madagascar é o terceiro maior produtor africano de arroz, depois do Nigéria e do Egito. Apesar dessa posição de destaque no continente, o país do leste africano enfrenta dificuldades para estabilizar sua produção e mantém uma dependência cada vez maior do arroz importado.

Em Madagascar, o governo pretende criar 150.000 hectares de novos perímetros arrozeiros. Com esse objetivo, o Ministério da Agricultura assinou, no sábado, 14 de fevereiro, um protocolo de acordo com a empresa privada COM’ON HOLDING & PARTENAIRE.

No âmbito dessa nova parceria, está prevista a criação de áreas-piloto “protótipo” em zonas produtoras como Atsinanana e Alaotra Mangoro para testar técnicas agrícolas avançadas que integrem mecanização no transplante de mudas e o uso de colheitadeiras, a fim de otimizar os rendimentos.

Será assegurado rigor técnico com a integração de sementes certificadas do AfricaRice e validação científica sistemática pelo FOFIFA (Centro Nacional de Pesquisa Aplicada ao Desenvolvimento Rural). O protocolo reafirma que a produção resultante dessa parceria será prioritariamente destinada ao mercado nacional. Contudo, caso os objetivos de segurança alimentar sejam alcançados, a exportação de arroz especial poderá ser autorizada, reforçando a atratividade econômica do setor agrícola malgaxe”, informa comunicado publicado no site do governo.

Embora o custo total do investimento ainda não tenha sido divulgado, a ambição é clara: melhorar a produtividade do setor arrozeiro. O desafio é ainda mais estratégico diante do fortalecimento da dependência da Grande Ilha em relação às importações.

Dados compilados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostram, por exemplo, que o volume de arroz importado por Madagascar mais que dobrou, atingindo 800.000 toneladas em 2025, contra cerca de 300.000 toneladas um ano antes. Essa explosão nas compras reflete a incapacidade da cadeia produtiva malgaxe de acompanhar de forma sustentável a demanda do mercado interno.

Uma dinâmica que deve continuar em 2026

As perspectivas para 2026 não são animadoras. Em seu relatório sobre a análise da produção agrícola mundial, publicado em 12 de dezembro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima a produção de arroz beneficiado em 2,7 milhões de toneladas em 2025/26, o que representa uma queda de 19% em relação à safra anterior e de 12% em comparação com a média dos últimos cinco anos.

Para justificar essa previsão, o órgão aponta uma redução de 8% na área cultivada, para 1,8 milhão de hectares, e uma queda esperada de 12% no rendimento médio, para 2,40 toneladas por hectare, em meio a condições climáticas desfavoráveis.

O potencial da colheita foi afetado por uma seca em março e por temperaturas acima da média durante toda a temporada, resultando no menor rendimento registrado nos últimos 20 anos para 2025/26 […] As chuvas sazonais atrasaram, reduzindo a germinação das culturas, diminuindo a área plantada e limitando o potencial produtivo devido a um ciclo de crescimento encurtado”, indica o USDA.

Nesse contexto, a parceria público-privada entre o governo e a COM’ON HOLDING & PARTENAIRE poderá, se bem-sucedida, fortalecer a base produtiva do setor malgaxe na próxima safra.

Um potencial ainda amplamente subexplorado

Em relatório de análise da cadeia produtiva malgaxe publicado em abril de 2025, o Fundo Monetário Internacional (FMI) destaca a existência de um grande hiato entre os rendimentos atuais e a capacidade teórica de produção. Enquanto o rendimento médio do arroz na Grande Ilha permanece em torno de 2,75 t/ha desde o fim dos anos 2000, a instituição afirma que esse número poderia teoricamente alcançar até 11 t/ha em condições ideais.

Diversos fatores explicam essa diferença. Além da seca, o relatório menciona a recorrência de outros choques climáticos, como ciclones que afetam os recursos hídricos em um país onde mais de 80% das áreas arrozeiras são irrigadas. Soma-se a isso o acesso limitado a insumos modernos, mecanização insuficiente, degradação das terras cultiváveis e o uso ainda disseminado de práticas agrícolas tradicionais.

É nesse cenário que Antananarivo vem afirmando, desde 2025, sua intenção de integrar em larga escala o cultivo de arroz híbrido para superar a baixa produtividade. O arroz híbrido pode alcançar rendimentos de até 8,5 toneladas por hectare, cerca de três vezes superiores aos das variedades tradicionais (2,45 a 2,7 toneladas por hectare). No projeto de lei orçamentária de 2025, o governo anunciou, inclusive, a intenção de destinar 573 bilhões de ariarys para a compra de sementes de arroz híbrido destinadas aos agricultores.

Stéphanas Assocle

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