Na Tanzânia, a agricultura contribui com cerca de 23% para o PIB e emprega aproximadamente 65% da população ativa. No âmbito da sua estratégia de diversificação dos mercados de exportação, Dodoma pretende reforçar a cooperação com a Rússia, apostando nomeadamente na cadeia produtiva da banana.
As exportações de bananas da Tanzânia para a Rússia deverão registar um forte crescimento nos próximos anos. A informação foi avançada pelo meio local Tanzania Insight a 10 de junho, citando declarações da presidente Samia Hassan, que falou aos meios de comunicação russos à margem da sua visita de Estado, realizada entre 3 e 5 de junho.
Segundo a chefe de Estado, esta ambição baseia-se no reforço da cooperação bilateral entre os dois países no setor. «Os investimentos russos na agricultura tanzaniana já se concretizaram, nomeadamente na cadeia da banana. O projeto assenta num apoio técnico e financeiro destinado a aumentar a produção de bananas na Tanzânia, com o objetivo de desenvolver um fluxo regular de exportações para o mercado russo», refere a mesma fonte.
Com investimentos russos, a Tanzânia tem a oportunidade de aumentar ainda mais a sua capacidade de produção, que já a posiciona como o segundo maior produtor da fruta na África Oriental, depois do Uganda, e como o principal exportador da sub-região.
Segundo a FAO, a produção de bananas no país atingiu 3,26 milhões de toneladas em 2024. Quanto às exportações, os dados compilados na plataforma Trade Map mostram que estas atingiram uma média de cerca de 9 800 toneladas por ano nos últimos cinco anos, com um pico de 14 685 toneladas registado em 2024. No entanto, até agora ainda não foi registado qualquer fluxo de exportação destinado à Rússia.
Um mercado de quase 1 mil milhões de dólares a conquistar
Nos últimos cinco anos, a Rússia importou em média cerca de 1,46 milhões de toneladas de bananas por ano, tornando-se o terceiro maior importador mundial da fruta, depois dos Estados Unidos e da China, segundo os fluxos comerciais registados no Trade Map.
O valor dessas compras atingiu uma média anual de 827 milhões de dólares no mesmo período, com um pico de 1,07 mil milhões de dólares registado em 2021.
Neste mercado, o Equador destaca-se como o principal fornecedor de bananas, representando cerca de 98% das compras anuais russas no mercado internacional. A cadeia bananeira tanzaniana, que pretende entrar na Rússia, terá assim de enfrentar a concorrência do domínio equatoriano, bem como de outros fornecedores já estabelecidos, como a China, Costa Rica e Filipinas.
Embora a Rússia represente um mercado estratégico em desenvolvimento, a cadeia da banana tanzaniana insere-se numa dinâmica mais ampla de expansão comercial. A 13 de junho de 2026, as autoridades anunciaram a abertura do mercado sul-africano às bananas frescas da Tanzânia, após um acordo sobre normas fitossanitárias.
Em 2025, a Tanzânia obteve 3,05 milhões de dólares em receitas graças às suas exportações internacionais de bananas, destinadas quase exclusivamente à Zâmbia, segundo dados do Trade Map.
Stéphanas Assocle













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