A agricultura sul-africana é a mais importante do continente. O país é um dos poucos em África a apresentar de forma contínua um excedente líquido da sua balança agrícola ao longo da última década.
Na África do Sul, o setor agrícola está em forte crescimento. Entre janeiro e março, o excedente da balança comercial atingiu 1,55 mil milhões de dólares, um aumento de 16,1% em relação ao ano anterior e um novo recorde. A informação foi divulgada pelo sindicato agrícola sul-africano AgriSA num relatório publicado a 8 de junho.
Embora este resultado seja excecional, a organização considera que ele se explica sobretudo pela redução das despesas de importação, mais do que por uma forte aceleração das vendas externas. Com efeito, as exportações atingiram 3,30 mil milhões de dólares, mantendo-se praticamente estáveis (+0,1%) em termos homólogos, enquanto as importações diminuíram 10,6%, para 1,76 mil milhões de dólares, devido à queda dos preços do óleo de palma, arroz, peixe congelado e café.
A horticultura, pilar do comércio agrícola
Enquanto as exportações permaneceram globalmente estáveis, a horticultura continuou a sustentar o conjunto do comércio agrícola. Este subsetor representou sozinho 55% das exportações agrícolas no período, a sua maior contribuição num primeiro trimestre. Impulsionadas pelas uvas, frutas de pomóideas, frutas de caroço e vinho, as vendas geraram 1,82 mil milhões de dólares no período analisado.
«O excedente líquido estimado da horticultura, próximo de 1,66 mil milhões de dólares, supera agora o excedente agrícola nacional total. Isto demonstra que a horticultura desempenha um papel essencial na manutenção de um saldo comercial positivo na agricultura sul-africana», indica o relatório.
Entretanto, a situação foi menos favorável no setor dos produtos de origem animal, onde as vendas caíram 12,9%, para 322 milhões de dólares, devido ao encerramento de mercados relacionado com a febre aftosa.
No caso do milho, a queda dos preços nos mercados internacionais também penalizou o valor das vendas, que recuou cerca de 22,4%, para 194 milhões de dólares, apesar de um aumento do volume exportado de 17,8%.
De forma geral, a AgriSA destaca que os Países Baixos e o Reino Unido foram os dois principais mercados para a África do Sul, absorvendo no total 978 milhões de dólares em produtos agrícolas. Seguem-se o Zimbabué (296 milhões de dólares), a Namíbia (190 milhões de dólares), Moçambique (187 milhões de dólares) e o Botswana (169 milhões de dólares).
Rumo a um novo recorde em 2026?
O ano de 2025 já tinha sido excecional para a África do Sul, com exportações agrícolas no valor de 15 mil milhões de dólares, marcando o sétimo ano consecutivo de crescimento das vendas.
O início de 2026 prolonga esta dinâmica e poderá indicar um novo ano positivo, desde que haja controlo dos riscos sanitários que permita retomar as exportações de gado, sobretudo para mercados de elevado valor como o Médio Oriente e a Ásia, uma continuidade do bom desempenho da horticultura e uma melhor valorização de outros produtos exportados, como o milho, nos próximos meses.
Espoir Olodo













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