A África Ocidental é a segunda região importadora de produtos lácteos em África, depois da África do Norte. Na Guiné, como em alguns países da sub-região, o governo está a trabalhar para melhorar a produtividade do gado com o objetivo de reduzir essa dependência.
Na Guiné, o Ministério da Pecuária anunciou na segunda-feira, 16 de fevereiro, ter assinado uma parceria com a empresa brasileira Rio Verde Group para reforçar a produtividade e a produção animal, nomeadamente em carne e leite, através de uma transferência de tecnologias e competências.
Em um comunicado publicado no seu site, o ministério indica que este acordo permitirá introduzir mais de 2.000 vacas de raças puras brasileiras no Centro de Apoio e Demonstração em Pecuária (CAE) de Boké, a fim de estimular o gado nacional e melhorar o seu desempenho.
"Com o grupo Rio Verde, trata-se, entre outras coisas, de importar raças puras do Brasil para realizar inseminação artificial através da tecnologia, mas também de proceder à transferência de embriões e estabelecer um laboratório que permita, com os técnicos do Ministério da Pecuária, realizar todas essas técnicas de transferência de embriões para o país", explica Félix Lamah, Ministro da Pecuária.
É importante notar que o Brasil tem uma boa reputação pelo potencial genético das suas raças bovinas adaptadas para pecuária em ambientes tropicais e ocupa uma posição dominante no mercado mundial de produtos derivados.
Os dados compilados pela FAO mostram, por exemplo, que o país sul-americano é o segundo maior produtor mundial de carne bovina, depois dos EUA, e o maior exportador mundial. O Brasil também é o 5º maior produtor mundial de produtos lácteos, após a Índia, os EUA, o Paquistão e a China.
Globalmente, a parceria com a Rio Verde vem concretizar a cooperação entre Conacri e Brasília na melhoria genética do gado. Já em outubro de 2025, o Ministério da Pecuária anunciava o apoio da Agência Brasileira de Cooperação no âmbito da implementação do programa de melhoria genética da raça N’Dama.
A parceria também ajudará a apoiar os esforços para melhorar a produtividade do gado nacional. Assim, no âmbito de uma parceria com a FAO, o Ministério da Pecuária lançou, por exemplo, em novembro de 2025, um programa de inseminação artificial de 1.000 vacas no distrito de Dubréka. O objetivo era cruzar a raça local N’Dama com a Montbéliarde, uma raça francesa polivalente, conhecida por fornecer tanto leite de alta qualidade quanto carne apreciada.
Uma tendência sub-regional
Mais amplamente, a cooperação entre Conacri e o Brasil na melhoria genética do gado bovino não é um caso isolado na África Ocidental. Em janeiro deste ano, o Burkina Faso, através do seu Ministério da Agricultura, revelou um programa de importação de 710 vacas gestantes de raças bovinas Guzerá, Gir, Holstein e Nelore com alto potencial para a produção de leite e carne, vindas do Brasil. O anúncio foi feito após discussões realizadas em junho de 2025 com o Instituto Daniel Franco (IDF), reconhecido no Brasil pela sua experiência em seleção animal e pecuária sustentável.
Um pouco antes, em novembro de 2024, o governo senegalês também anunciou a importação de 1.000 cabeças de gado da raça Guzerá, com alto potencial para carne, do Brasil, no âmbito de uma parceria público-privada. Tal como na Guiné, a ambição declarada desses dois países é melhorar a produtividade do seu gado através da melhoria genética, com o objetivo de aumentar a oferta local de carne bovina ou de leite.
Os dados compilados pela FAO mostram, por exemplo, que a Guiné importou cerca de 9.373 toneladas de produtos lácteos (leite cru, leite inteiro, manteiga, iogurte, etc.) em média por ano entre 2020 e 2024. Paralelamente, a fatura associada a essas compras foi de cerca de 20,66 milhões de dólares, em média, por ano no mesmo período.
Stéphanas Assocle













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