Ghana e Costa do Marfim representam cerca de 60% da produção mundial de cacau
A Costa do Marfim e o Gana são responsáveis por cerca de 60% da produção mundial de cacau. Cada um desses países enfrenta desafios no segmento de comercialização das sementes de cacau.
Na Costa do Marfim, as autoridades podem seguir o exemplo do Gana e reduzir o preço do cacau à beira do campo. Segundo a Reuters, em 18 de fevereiro, fontes próximas ao assunto, que pediram anonimato, informaram que um comitê interministerial se reuniu para discutir a questão e uma decisão deve ser tomada em breve.
Se essa medida for confirmada, ela marcará o fim do impasse entre o Conselho Café-Cacau (CCC) e os negociantes, que têm solicitado a redução dos preços de compra, atualmente fixados em 2.800 Fcfa/kg (cerca de 5.000 dólares por tonelada), devido à queda de cerca de 70% nos preços internacionais desde o pico de final de 2024.
Redução de preços no Gana e a espera pela Costa do Marfim
O Gana anunciou, uma semana antes, uma redução de 28,6% nos preços de compra, fixando-os em 41.392 cedis (3.764 dólares por tonelada) para o restante da temporada 2025/2026. Na Costa do Marfim, nenhum detalhe sobre a amplitude de uma possível redução foi revelado.
Porém, os observadores acreditam que uma possível redução no preço na Costa do Marfim deve ser semelhante, ou pelo menos próxima, à do Gana, para evitar que o cacau marfinense seja desviado para o ex-Ghana (atualmente Gana). Em relação ao momento da redução, alguns analistas acreditam que a diminuição poderia ser implementada durante a campanha intermediária, que começará em abril e terminará em setembro.
Costa do Marfim-Gana: uma aliança à prova de fogo?
Enquanto aguardam mais detalhes do governo marfinense ou do regulador da cadeia de cacau, os analistas concordam que a crise atual testará a força da cooperação entre os dois países produtores de cacau.
Desde 2017, os dois gigantes da indústria do cacau, que juntos representam 60% da oferta mundial, aproximaram-se para enfrentar a crise de preços e ter maior influência no mercado, além de obter uma fatia melhor da cadeia de valor global do cacau.
Essa aliança lutou e obteve, em 2020/2021, a implementação de um diferencial de receita de 400 dólares por tonelada comprada pelos traders mundiais, com o objetivo de melhorar as condições de vida dos produtores.
Com a nova queda nos preços, os olhares estão voltados novamente para esses dois países, cujos sistemas de comercialização são diferentes (totalmente liberalizado na Costa do Marfim e parcialmente aberto aos privados no Gana).
A coordenação eficaz no nível dos preços será determinante nos próximos meses. De acordo com Alex Assanvo, secretário-executivo da Iniciativa Cacau Costa do Marfim-Gana (ICCIG), os dois países podem discutir essas questões em uma reunião futura.
“A organização continua mobilizada para coordenar as políticas nos dois países”, disse ele à Reuters, acrescentando que todos os atores do setor serão reunidos para examinar a evolução do mercado e propor melhorias nos mecanismos de estabilização dos preços.
Espoir Olodo












