A Telecel entrou no mercado das telecomunicações ganês em fevereiro de 2023, na sequência da aquisição das atividades da Vodafone Ghana, então confrontada com dificuldades. Desde então, o operador tem implementado várias iniciativas para consolidar a sua posição num mercado altamente concorrencial.
A operadora de telecomunicações Telecel Ghana lançou um vasto programa de modernização da sua rede. A iniciativa visa reforçar a capacidade das infraestruturas para responder melhor à crescente procura por serviços de conectividade.
O programa teve início em Madina, segundo a imprensa local. Ele reflete o compromisso assumido pela diretora-geral da empresa, Patricia Obo-Nai, que tinha anunciado numa entrevista aos meios de comunicação em março que melhorias significativas nas infraestruturas de rede seriam lançadas durante o segundo trimestre.
“Estamos a aumentar a capacidade deste site para reduzir a congestão e melhorar as velocidades de Internet para milhares de clientes em Madina. À medida que o uso de dados continua a crescer, estes investimentos garantem aos nossos clientes velocidades mais elevadas, melhor qualidade de voz e ligações mais estáveis”, afirmou Ebenezer Siebu, diretor de tecnologia da Telecel Ghana, citado pelo meio de comunicação local Citi Newsroom.
Acrescentou ainda que a operadora prevê realizar atualizações semelhantes em mais de 100 sites de elevado tráfego em todo o país este ano. Além disso, mais de 1.000 sites beneficiarão de diferentes níveis de melhoria no âmbito do programa global de modernização da rede.
Transformação digital e procura crescente
Esta iniciativa insere-se nos esforços desenvolvidos pela Telecel Ghana desde a aquisição das atividades da Vodafone Ghana em fevereiro de 2023. Surge num contexto de aceleração da transformação digital, marcado por um aumento contínuo do consumo de dados móveis e uma procura crescente por serviços de conectividade de alta velocidade.
Para acompanhar esta evolução, a operadora tem aumentado os investimentos nas suas infraestruturas. Em novembro de 2025, lançou, em parceria com a Huawei, um programa de modernização da rede avaliado em 70 milhões de dólares. Em abril de 2023, assinou igualmente um acordo com a Lynk Global para expandir a cobertura móvel através da tecnologia satélite “Direct to Device”. Entre o início de 2023 e o final de 2025, o número de sites de telecomunicações passou de cerca de 5.000 para aproximadamente 9.000.
A longo prazo, Patricia Obo-Nai afirmou que a expansão da rede continuará a ser uma prioridade estratégica da empresa. Esta orientação reflete a evolução do papel das operadoras de telecomunicações, que deixaram de ser apenas fornecedoras de serviços de comunicação para se tornarem infraestruturas essenciais da transformação digital da economia.
A Telecel procura assim responder às necessidades de uma base de clientes cada vez mais dependente do digital. Os consumidores utilizam a Internet para streaming de vídeo, redes sociais, plataformas de formação online, serviços administrativos digitais e pagamentos móveis. As empresas, por sua vez, dependem de redes mais eficientes para suportar comércio eletrónico, aplicações na cloud, teletrabalho, ferramentas colaborativas e soluções digitais de aumento de produtividade.
Forte pressão concorrencial
Estes esforços decorrem num mercado ganês ainda largamente dominado pela MTN. A antiga Vodafone Ghana tem perdido terreno nos últimos anos face ao líder do mercado. A sua quota caiu de 24,1% em junho de 2017 para 18,41% em fevereiro de 2023, no momento da aquisição pela Telecel Group, antes de subir para 20,7% no final de fevereiro de 2025. Apesar desta recuperação, a MTN mantém uma posição dominante com 72,1% do mercado móvel.
O segmento de internet móvel também é dominado pela MTN, que contava com cerca de 25,8 milhões de subscritores no final de fevereiro de 2025, representando 81,29% do mercado. A Telecel detinha 14,5%, enquanto a AT ficava com 4,21%.
Contudo, a Telecel mantém uma posição dominante em alguns segmentos históricos. Na telefonia fixa, detinha 97,7% do mercado, contra 2,3% da MTN. Na internet fixa, controlava 51,75%, contra 47,85% da MTN.
Isaac K. Kassouwi













Dakar, Senegal