O Egito aposta no setor das TIC para reforçar a sua economia e a sua presença nos mercados internacionais. As exportações digitais do país atingiram 7,4 mil milhões de dólares em 2025, contra 3,3 mil milhões em 2018, o que representa um aumento de 124% em sete anos.
O Egito prevê iniciar, a partir de 2026, a exportação de telemóveis produzidos localmente para os mercados internacionais. Para esse efeito, o país ambiciona fabricar 15 milhões de aparelhos, contra 10 milhões em 2025. Esta iniciativa insere-se na estratégia das autoridades para reforçar as exportações digitais e desenvolver uma base industrial local no setor das TIC.
Intervindo perante adidos militares designados no Instituto de Estudos das Ciências da Inteligência e da Segurança, o ministro das Comunicações e das Tecnologias da Informação, Amr Talaat, precisou que os 10 milhões de aparelhos produzidos este ano incorporam uma taxa de valor acrescentado local de 40%. Indicou igualmente que o Egito conseguiu atrair 15 marcas internacionais de telemóveis para a produção local, no âmbito de uma estratégia mais ampla destinada a transformar o setor das TIC numa potência estratégica orientada para a produção.
Esta dinâmica ocorre num contexto em que o mercado mundial de smartphones continua a crescer. Segundo a Research Nest, o seu valor deverá atingir 1 120 mil milhões de dólares em 2035, face a 609,2 mil milhões de dólares em 2025, impulsionado, em particular, pelo papel-chave das cadeias de abastecimento, das importações e dos fluxos de montagem. Esta progressão insere-se também no ressurgimento pós-Covid-19, após as perturbações das cadeias logísticas e a redução das despesas de consumo observadas em 2020.
A GSMA estima, por outro lado, que 250 milhões de pessoas adotaram um smartphone em 2024, elevando o número total de utilizadores para 4,4 mil milhões, o que corresponde a 54% da população mundial. Contudo, a organização sublinha que, entre as 3,1 mil milhões de pessoas cobertas por redes móveis de banda larga mas não subscritas à internet móvel, quase um terço possui um aparelho sem poder ou sem saber utilizá-lo para aceder à internet, enquanto os 2 mil milhões restantes não dispõem de qualquer terminal.
Embora estes indicadores apontem para oportunidades para os smartphones produzidos no Egito, o mercado internacional apresenta também desafios. A International Data Corporation (IDC) antecipa uma queda de 0,9% nas expedições mundiais de smartphones em 2026, devido a escassez de componentes e a ajustamentos dos ciclos de produtos. O instituto acrescenta que a persistente escassez mundial de memórias deverá restringir a oferta e pressionar os preços em alta, afetando de forma mais acentuada os smartphones Android de entrada e de gama média, mais sensíveis às variações de preço.
Isaac K. Kassouwi













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