No Nigéria, a rede de transporte de eletricidade é frequentemente apontada como a principal responsável pelos cortes de energia. Uma interpretação contestada pela Transmission Company of Nigeria (TCN), a entidade estatal responsável pelo transporte de eletricidade através da rede nacional.
O diretor-geral da TCN, Sule Ahmed Abdulaziz, contestou uma ideia generalizada sobre o setor elétrico nigeriano. Durante uma cimeira parlamentar dedicada às reformas do setor da eletricidade, afirmou que a rede de transporte não constitui o principal obstáculo à melhoria do fornecimento de energia no país.
Citando números apresentados pelo responsável, o jornal Vanguard informou na sexta-feira, 12 de junho, que a capacidade atual de transporte da TCN atinge 8 700 megawatts (MW), enquanto a maior potência alguma vez injetada na rede nacional nunca ultrapassou 5 801 MW.
«A conclusão é clara: a rede nacional consegue atualmente transportar muito mais eletricidade do que aquela que alguma vez foi produzida e fornecida. A TCN tem transportado continuamente toda a produção disponível, demonstrando que a rede de transporte está preparada para suportar níveis mais elevados de fornecimento de eletricidade», declarou Abdulaziz.
Uma rede fragilizada por vandalismo e ocupações ilegais
Apesar deste desempenho, Abdulaziz alertou para ameaças concretas que afetam as infraestruturas de transporte. O vandalismo e a sabotagem de torres e linhas de alta tensão perturbam regularmente o fornecimento de energia e aumentam os custos de manutenção.
Além disso, indivíduos e empresas ocupam indevidamente os corredores reservados às linhas elétricas, dificultando os trabalhos de manutenção e impedindo a expansão da rede.
Perante estes desafios, o responsável pediu ao governo federal e à Assembleia Nacional o reforço do quadro jurídico de proteção das infraestruturas elétricas. Defendeu a criação de um mecanismo nacional unificado de proteção dos corredores de linhas, envolvendo as autoridades federais, estaduais e locais.
Progressos esperados num setor em reforma
Abdulaziz destacou que continuam a existir desafios em toda a cadeia de valor do setor elétrico. As limitações de financiamento, a pressão cambial e a insuficiência do fornecimento de gás para alimentar as centrais térmicas continuam a travar os avanços, assim como as fragilidades persistentes da rede de distribuição que leva a eletricidade até aos consumidores.
Estes desafios surgem num contexto de reformas mais amplas promovidas pelo governo federal. Em abril de 2026, o presidente Bola Tinubu aprovou um plano de reembolso de 3,3 biliões de nairas (cerca de 2,1 mil milhões de dólares) para liquidar dívidas acumuladas no setor elétrico entre 2015 e 2025.
Quinze centrais elétricas já assinaram acordos de liquidação no valor total de 2,3 biliões de nairas, segundo um comunicado da presidência. O objetivo é recuperar a confiança dos investidores e estabilizar a produção de eletricidade em toda a cadeia de valor.
Abdel-Latif Boureima













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