As instituições financeiras de desenvolvimento estão a intensificar os seus esforços para apoiar a eletrificação do continente africano, onde o acesso à eletricidade continua a ser um desafio fundamental para o desenvolvimento económico e social.
O Banco Mundial e o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) anunciaram, na terça-feira, 16 de junho, que mais de 50 milhões de pessoas obtiveram acesso à eletricidade no âmbito da iniciativa Mission 300. Este resultado corresponde às ligações realizadas desde julho de 2023 em 40 países africanos, enquanto o programa pretende alcançar 300 milhões de beneficiários até 2030.
Um ritmo de ligações que está a acelerar
Segundo as duas instituições, a Mission 300 permite atualmente expandir o acesso à eletricidade a um ritmo quase duas vezes superior ao registado no início do programa. Este avanço baseia-se em investimentos que abrangem toda a cadeia de valor energética, desde a produção até à ligação final de famílias, empresas e serviços públicos.
A Tanzânia registou 7,5 milhões de novos acessos à eletricidade no âmbito do programa, enquanto a Etiópia contabiliza 4,6 milhões, graças nomeadamente a reformas destinadas a reduzir o custo das ligações. No Nigéria, mais de 4,5 milhões de pessoas foram conectadas através de iniciativas conduzidas pelo setor privado.
«Até ao momento, 30 países lançaram Acordos Nacionais sobre Energia, planos destinados a reforçar os seus sistemas energéticos, desenvolver a produção de eletricidade a custos acessíveis, generalizar soluções de energias renováveis, promover a integração regional e aumentar a participação do setor privado», indica o comunicado conjunto das duas instituições.
Para apoiar esta dinâmica, o BAD e o Banco Mundial indicam já ter comprometido cerca de 15 mil milhões de dólares e mobilizado aproximadamente 4,5 mil milhões de dólares em cofinanciamentos. Outros parceiros prometeram mais de 7 mil milhões de dólares adicionais para o setor energético africano.
Uma corrida contra a demografia
Estes avanços acontecem, contudo, num contexto em que o défice de acesso à eletricidade continua particularmente elevado na África subsariana. No relatório «Tracking SDG7: The Energy Progress Report 2025», a Agência Internacional de Energia estima que, em 2023, cerca de 565 milhões de pessoas na região ainda viviam sem acesso à eletricidade, representando 85% da população mundial nessa situação.
Nesse mesmo ano, 35 milhões de pessoas foram ligadas à rede elétrica na região. No entanto, devido a um crescimento demográfico de quase 30 milhões de habitantes, este progresso permitiu reduzir o número de pessoas sem eletricidade em apenas cerca de 5 milhões.
Para os promotores da Mission 300, o desafio não é apenas manter o ritmo atual, mas acelerá-lo o suficiente para compensar o crescimento populacional e reduzir de forma sustentável o número de africanos sem acesso à eletricidade.
Abdoullah Diop













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