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Como as redes rodoviárias africanas têm crescido nos últimos anos: o caso do Senegal

Como as redes rodoviárias africanas têm crescido nos últimos anos: o caso do Senegal
Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

Considerado um eixo essencial para a integração territorial e a competitividade económica, o transporte rodoviário, responsável por 90% da mobilidade e das trocas, continua no centro das prioridades do Senegal. Entre necessidades de modernização e imperativos de manutenção, o setor entra numa nova fase do seu desenvolvimento.

Na última década, o Senegal reforçou significativamente a sua rede rodoviária, tanto em termos de cobertura como de qualidade. Segundo dados da Agência das Obras e de Gestão das Estradas (AGEROUTE) e do Fundo Autónomo de Manutenção Rodoviária (FERA), a rede rodoviária classificada do país estendia-se por 16 481 km em 2024-2025, dos quais 6 569 km de estradas pavimentadas e 9 912 km de estradas não pavimentadas. Em comparação, em 2015 contava com 5 902 km de estradas pavimentadas e 10 080 km de estradas não pavimentadas.

À rede classificada atual, composta por estradas nacionais, regionais, departamentais e urbanas, junta-se uma rede não classificada estimada em cerca de 60 000 km. Esta evolução é o resultado de vários programas públicos de grande escala. O Plano Senegal Emergente (PSE), principal quadro de desenvolvimento do país na última década, integrou nomeadamente 21 grandes projetos no setor rodoviário, entre os quais 12 projetos de construção ou reabilitação de estradas pavimentadas, 3 projetos de autoestradas e 3 projetos de obras de arte.

Uma iniciativa

Várias outras iniciativas contribuíram para a melhoria das infraestruturas de transporte, como o Programa Especial de Desencravamento (PSD), dotado de um orçamento de 506,5 mil milhões de francos CFA (cerca de 891,2 milhões de dólares). Este programa prevê a construção de mais de 200 km de estradas, 150 km de vias urbanas, a modernização de 300 km de estradas estruturantes, bem como a realização de várias obras de arte.

Entre o desafio da manutenção e novas ambições rodoviárias

Apesar destes progressos, a expansão da rede pavimentada apresenta sinais de fragilidade. Enquanto a percentagem de estradas pavimentadas em bom ou médio estado representava cerca de 84% da rede classificada em 2022, caiu para 82% em 2023 e para 79% em 2024. No seu relatório “Senegal Country Strategy Paper (CSP) 2026-2031”, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) atribui esta degradação parcial da rede, nomeadamente, a um défice de manutenção.

As disparidades territoriais continuam igualmente a ser um desafio. Se as infraestruturas rodoviárias dos grandes centros urbanos apresentam geralmente um melhor nível de serviço, várias zonas rurais continuam a sofrer de um défice de conectividade. Esta situação limita o acesso das populações afetadas aos mercados, aos serviços sociais básicos e às oportunidades económicas.

Para os próximos anos, as autoridades senegalesas pretendem prosseguir os investimentos no setor, no âmbito da estratégia 2026-2031 integrada no plano Senegal 2050. O governo ambiciona nomeadamente elevar a rede de autoestradas nacional para mais de 900 km até 2030, através de vários projetos estruturantes, incluindo os eixos Mbour – Fatick – Kaolack (100 km), Dakar – Tivaouane – Saint-Louis (200 km) e Kaolack – Tambacounda (260 km).

Um projeto emblemático

Entre os projetos emblemáticos destaca-se igualmente o Programa de Melhoria das Vias das Cidades Secundárias (PAV2VS), cujo lançamento está previsto para este ano, com o apoio do BAD. A iniciativa visa, nomeadamente, aumentar para 82% a proporção de estradas pavimentadas em bom ou médio estado até 2030.

A concretização destas ambições dependerá, contudo, de vários fatores. Para além da mobilização dos financiamentos necessários, considerada uma das principais dificuldades devido às pressões atuais sobre a economia senegalesa, as autoridades terão de reforçar os mecanismos de manutenção para evitar a degradação precoce das infraestruturas. Os desafios ligados à resiliência climática, nomeadamente face às inundações e à erosão em certas regiões, bem como a necessidade de reduzir as disparidades territoriais, constituirão igualmente desafios a superar para garantir a sustentabilidade e a eficácia económica dos investimentos previstos.

Henoc Dossa

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